Baleia azul ou Blue Whale game

Recentemente, circulou no whatsapp a seguinte mensagem de áudio:

“Existe no facebook um convite para entrar num jogo que, se aceito pelas crianças e adolescentes, estas têm que obrigatoriamente participar. Este jogo chama-se O desafio da baleia azul. São cinquenta desafios entre os quais há mortes, mutilações (cortes nos braços), dar balas e/ou pastilhas envenenadas para outros, assassinar o pai ou a mãe. Alguns desses desafios são secretos. É um jogo muito perigoso e termina no desafio número cinquenta que é o suicídio. Este jogo começou na Rússia, onde já houve mais de 130 suicídios de adolescentes. Em Curitiba, hoje, 19 de abril de 2017, há oito adolescentes internados, cinco com cortes, três foram encontrados a tempo, á beira do suicídio, um estava por se atirar de uma ponte, um outro, de quase 10 anos, chorava e dizia para a sua irmã ‘Não quero morrer, eu não posso morrer…’ Ele começou o jogo sem perceber o perigo… A irmã contou para a mãe deles e chegaram ao hospital com a criança quase enlouquecida. Se você entra nesse jogo não ha como sair porque eles te perseguem, perseguem a sua mãe e a sua família é ameaçada de morte, se você entrar no jogo não pode sair. Por favor, avisem a seus filhos para que não aceitem pastilhas, balas de gente estranha, que não aceitem convites do facebook, que não entrem no jogo. O jogo da Rússia já chegou ao Brasil e, em Curitiba, está um caos, a policia está alerta e empenhada em não deixar o jogo se expandir.”

O nome do jogo se refere `a baleia azul (que pode alcançar até 33 m de longitude e 130 toneladas de peso). Qual seria a relação do jogo e seus desafios com o mamífero? Será que se refere ao fenômeno das baleias encalhadas, e ser comparado a um suicídio?

O jogo é realizado sob certas regras que não se vinculam ao entretenimento ou à diversão nos sentidos conhecidos. Na mídia social, o jogo foi criado por um ex-estudante russo de psicologia que se propôs a limpar a sociedade das crianças e adolescentes ‘sem valor’. Segundo a Wikipédia, surge em 2013, e o inicio dos suicídios na Rússia em 2015. No jogo estão também os administradores/curadores que passam antecipadamente ou no mesmo dia a tarefa aos participantes.

Não acredito que seja apenas o jogo ou o curador que levem à situação de suicído. Hoje, as crianças e os jovens vivem numa sociedade globalizada “fechados em casa”, uma sociedade que da as costas aos relacionamentos entre as pessoas da família e da escola. Há menos espaços públicos e o medo cresce, especialmente nas grandes cidades. As pessoas mais próximas ficam afastadas das crianças e dos adolescentes que entram na rede e se aproximam de pessoas “desconhecidas”. A sociedade em rede, global e virtual está “aberta” a todo tipo de vínculos.

O jogo, na realidade, pode ser a gota que faltava para a criança e/ou adolescente explodir diante uma situação intolerável. Nos últimos tempos, o ciberbullying, ou assédio psicológico virtual, e vários outros modos de violência e abuso com uso de tecnologias apresentam sérios perigos para a integridade de crianças e adolescentes.

Entre os jogos mais recentes, está o de se enforcar (Choking Game): o adolescente brinca de se asfixiar e se prende a um fio até desmaiar para ganhar (e mostrar pela internet), mas, nessa “brincadeira”, pode acabar por se enforcar. O problema, acredito, está além do jogo. O problema é a falta de comunicação e de diálogo entre as pessoas, a falta de compreensão da realidade e a falta de geração de vínculos de afetividade. Vivemos numa sociedade estressada, em isolamento, em depressão. As crianças, os adolescentes e também os adultos, parecem ter dificuldade para gerar vínculos desinteressados e estão sendo marcados pelo desafeto e levados a jogos perigosos.

É evidente que os afetos e a amizade são necessários para superar a conturbada sociedade individualista. E, sair do virtual e do circulo que nos leva a jogos perigosos, pode ser difícil. Entretanto, hoje já há serviços de saúde, como o do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, entre outros, que orientam a lidar com essas situações . Estejamos atentos.

MVG – Margarita Victoria Gomez

Para saber mas >>> 

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