Da Amazônia ao Ipiranga – atualizar o primitivo que habita em nós

No seminário Variações do corpo selvagem – em torno do pensamento de Eduardo Viveros de Castro, as pessoas fizeram rizoma com a antropologia sócio cultural proposta por este antropólogo, conhecido no Brasil e no exterior, e por diversos caminhos convergiram com nosso pensamento. Alguns momentos e palavras-chave ainda ecoam em nossos ouvidos. Escutamos, a partir da pedagogia da virtualidade: “cada forma de vida gera uma ontologia; anarquista ontológico; corporalidade; variações; perspectivismo sem relativismo; dobras; espaços topológicos; modulações; oral; oikos; – orecular, ouricular, oracular – devir, estética relacional, terras baixas latino-americanas, obliquação, ‘estórias’ para combater monstros da Historia, matriarcado; plantas de murta; devir onça; equí-voco; Oswald de Andrade, Guimarães Rosa e Clarice Lispector; serestar – ser-estar; sujeito cosmológico; Kant pode ter visto extraterrestre mas não viu índio; perspectivismo ameríndio; é da nossa vida que se trata.”

Palavras e expressões que ecoam num espaço topológico, dispostas em relação pela proximidade ou distância, mobilizando-nos a partir para outra sociabilidade, que na educação nos vincula para uma pedagogia outra, a da virtualidade. Ou seja, aquela que também encontra contribuições nas mais diversas áreas do conhecimento, da arte, da literatura, da antropologia, da filosofia, da politica, da proposta de Paulo Freire, pois trabalhamos por uma educação pública onde o conhecimento é produzido na pesquisa, e o sujeito é um devir com as novas aprendizagens.

Mas outras palavras e expressões também ecoam em nossos ouvidos com certa violência quando escutamos na sociedade: “agredir o professor; fechar escolas públicas com bom desempenho escolar; desarmamento; mandar para a prisão quase sem passar pela escola; demarcar territórios.”

Diante disso, percebe-se que o primitivo ganha realce na pedagogia da virtualidade como mostram Deleuze e Guattari (2004 p. 84) ao explicar “por que voltar aos primitivos, quando se trata de nossa vida?”

Portanto:
Valorizar o(a) professor(a)!

Não ao PEC. 215!

Não ao fechamento de escolas!

Recomenda-se visitar a exposição Variações do Corpo Selvagem: Eduardo Viveiros de Castro, fotógrafo‘ Sesc Ipiranga, até 29 Nov. 2015.

Veja alguma das fotografias que foram tiradas com celular – Trechos de Entrevistas com Viveros de Castro,  ‘Coleção Encontros’ – Azougue Editora.

Recomenda-se ler:

Deleuze, G. e Guattari, F. Mil platôs – capitalismo c esquizofrenia, vol. 3 / Gilles Deleuze, Félix Guattari; tradução de Aurélio Guerra Neto et alii. — Rio de Janeiro : Ed. 34, 1996; (Ed. 2004). (Coleção TRANS).
Desarmamento. 2015.
Entenda a PEC 215
Proposta de Emenda à Constituição N.o 215, de 2000.
Viveros de Castro, E. Metafísicas Canibais — elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Cosac Naify, 2015. 

Margarita Victoria Gomez

Esse post foi publicado em Educação rizomática, Pedagogia da virtualidade. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s