Se conectar para se desligar

Rizoma e educaçãoARH

É cada vez mais comum observar em sala de aula jovens usando o celular. Com acesso a internet e a outros aplicativos de mensagens de texto, os jovens dividem sua atenção entre o que ocorre na presencialidade da sala de aula e o universo virtual de comunicação interpessoal, informação e busca. Mas não há, como se gostaria de supor e muitos educadores pretendem, um paralelo entre o que esses jovens vivem em ambos ambientes, ou uma complementação de aprendizado. O que ocorre é uma fragmentação da atenção e uma falsa premissa que tudo pode ser aprendido depois, com um clique.

E o que pode ser aprendido depois, não interessa, por estar à mão e ao toque dos dedos.

Para completar o quadro de fragmentação, são por vezes os próprios pais que entregam aos jovens esses preciosos e poderosos aparelhos, som pressão dos filhos ou para controlá-los a distância, ou mesmo, e muito frequentemente, para mantê-los ocupados enquanto tentam reger suas vidas.

Isso tem gerado uma valoração de que tudo é passível de insignificância, além do poder, per si, da conexão.  Conectar-se virou sinônimo de estar no mundo e as próprias empresas de telefonia, detentoras dos fabulosos lucros pingados de cada usuário, promovem essa imagem.

Não é somente nas instituições de ensino que esse fenômeno ocorre, o vemos em restaurantes, padarias, cinemas e outros espaços públicos onde a comunicação online se espelha na falta de comunicação ou respeito com quem está presencialmente ao lado.  Mas o que espanta nas escolas, além do fato de ser um assunto fora em discussão, é o resultado híbrido do aprendizado e a impossibilidade de concentração, pois uma parte do ser se desconecta ao conectar-se.

-publicado originalmente em 02/10/2013, e continua atual.

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4 respostas para Se conectar para se desligar

  1. marvi2012 disse:

    Este post de ARH me faz lembrar uma das teses centrais que Samir Amin desenvolve em seu livro “La desconexión”, publicado em 1988. No trabalho pensa e propõe algumas orientações e reflexões com a finalidade de contribuir para desligar os países em desenvolvimento do sistema capitalista mundial.

    Amin, Samir, “La desconexión. Hacia un sistema mundial policéntrico”, Editorial IEPALA, Madrid, 1998.

  2. E penso que essa discussão precisa ser aprofundada, pois nós professores, que estamos em sala de aula com adolescentes, sabemos a briga que enfrentamos, diariamente, com os mesmos, por conta dos celulares. Precisamos descobrir no ensino presencial, possibilidades de uso do celular para que seja também um instrumento de aprendizagem. Uma vez que o quadro branco e o giz não respondem mais às expectativas de alunos “conectados com o mundo”.
    Maria Joseneide.

  3. Pingback: Nas ondas do rádio: as escolas públicas do município de São Paulo | Pedagogia da Virtualidade

  4. Marvi disse:

    A questão continua atual e preocupante, muitas horas no face, o uso indiscriminado do celular e a quantidade de mortes por uso indevido,…Realmente, acredito que falta educação no âmbito escolar e social acerca deste assunto.

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