Colonização, culto e cultura – As distintas tecnologias dos povos

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A visão expansionista do imperialismo português, de um lado, e a cosmovisão indígena pautado pela cultura oral, doutro, revelaram características específicas do valor comercial luso e do valor humanístico do selvagem. Enquanto um morava na caravela e movimentava-se no mar, o índio morava na floresta e mobilizava-se pela mata ao lado dos animais (lembrando a célebre frase de Brecht que diz: “Dionísio foi passear nos campos, ao lados das feras selvagens, dos loucos e dos animais”, numa relação de igualdade e tolerância na prática de viver juntos).

Este encontro vai além do senso comum entendido como aquilo que não presta (Portugal) e o que promove movimento (o índio); pois a identificação com o dominador e a emancipação junto com o dominador (utopia) processam-se.

As tecnologias distintas destes povos são representadas, dum lado, por astrolábios, bússolas, cartógrafos, mapas e cartas de navegação, pena, tinta, suporte para escrever (tecidos); e doutro, por, aproximadamente, 7 milhões de habitantes, com artefatos manuais para caça, pesca, plantio, práticas religiosas, construções de ocas dentre outros materiais adotados culturalmente.

Podemos pensar num descobrimento, encontro, usurpação ou outro termo da região chamada de Brasil? Vale questionar. Durante a comemoração de 500 anos de Brasil, foram expostas, no Salão Negro, do Congresso Nacional, apenas, duas páginas, (do total de quatorze), da carta de Pero Vaz de Caminha. Esta foi a segunda vez em que o Brasil teve acesso à esta carta (chamada de certidão de nascimento pela reportagem da tv globo), sendo a primeira vez em 1954. Por que não podemos ter acesso à nossa própria certidão de nascimento? Será que a leitura de colonizador e colonizado perduram?

Lembremos que “salvar essa gente inocente que precisa ser cristianizada” tornou-se uma meta, ao entender, num primeiro momento, que não havia ouro no Brasil. Ressaltamos, ainda, a questão da mulher que apresentava suas “vergonhas” limpas e aparadas, assim dito por portugueses que confessaram se encantar pelas índias ao descrevê-las como as mulheres mais belas, formosas e graciosas em comparação com as européias…

[1] Cosmo Luciano do Nascimento. Radialista, jornalista, arteeducador, licenciando em pedagogia e mestrando em Educação.

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Uma resposta para Colonização, culto e cultura – As distintas tecnologias dos povos

  1. Marisa Soares disse:

    Boa noite, Luciano e colegas

    Quando cursava a licenciatura em Letras, na disciplina de Literatura Brasileira, estudamos a carta de Pero Vaz de Caminha como um texto literário e subjetivo do autor, aspecto que abre a possibilidade de certo “lirismo” conotativo que não caberia como uma análise denotativa de um documento. Entretanto, não há concordância se a carta é um texto literário ou um documento.
    Creio que o aspecto mais significativo para dialogarmos esteja em seu título sobre as “tecnologias” da cultura europeia e da cultura indígena, porque nos conduz ao paradigma holístico de desenvolvimento humano, ou seja, devemos compreender que todo o conhecimento é construído a partir das necessidades simples de sobrevivência humana e se desenvolve para entender o (“Holos” do total) ou a integração do ser humano com o mundo em que vive, com a natureza, sua cultura e seus costumes. O conhecimento e as novas tecnologias não podem estar separados de um determinado modo de vida que se torna sua manifestação viva.
    Desenvolver o autoconhecimento é um meio de transformação crítica dos fundamentos da modernidade e da racionalidade, para que desenvolvamos uma nova interpretação multidimensional, que incorpore o espírito, a natureza e a vida.
    Desenvolver um ser humano altamente evoluído que tenha o compromisso de ajudar a todos os outros seres vivos. Creio que essa perspectiva seja a base da “tecnologia” indígena que tem sido consumida pela sociedade capitalista que convivemos.

    Marisa.

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