O Cuidado da Casa Comum

No post de 06 de julho passado, Marisa Soares, nos convida a refletir acerca da evolução histórica das civilizações e os enfoques de estratégias de vidas sustentáveis. Alerta, ainda, acerca de aspectos da globalização que afetam tanto as comunidades rurais como as urbanas. E, especialmente, nos chama para o respeito que há de se ter à Mae Terra, de maneira a preservar os recursos naturais e a memória de nossos ancestrais, a manutenção de nossa vida e o bem-estar dos povos.

É um tema bem acolhido no nosso blog pois está vinculado aos desafios de educar na contemporaneidade e ao uso do potencial libertador das tecnologias do mundo digital. Tema de época, que por sua vez encontra ressonância com a preocupação da última Encíclica pela deterioração do planeta Terra, que tira a qualidade de vida à humanidade e trás sofrimento pessoal e familiar.

Com a preocupação de alertar para o cuidado da nossa casa, a Carta Encíclica Laudato Si do Santo Padre Francisco, trata sobre O Cuidado da Casa Comum.

Especificamente, no capítulo III – 1: A tecnologia- criatividade e poder, afirma-se que “A humanidade entrou numa nova era, em que o poder da tecnologia nos põe diante duma encruzilhada. Somos herdeiros de dois séculos de ondas enormes de mudanças: a maquina a vapor, a ferrovia, o telegrafo, a eletricidade, o automóvel, o avião, as industrias químicas, a medicina moderna, a informática e, mais recentemente, a revolução digital, a robótica, as biotecnologias e as nanotecnologias. É justo que nos alegremos com estes progressos e nos entusiasmemos à vista das amplas possibilidades que nos abrem estas novidades incessantes, porque «a ciência e a tecnologia são um produto estupendo.

Por outro lado, alerta para a globalização do paradigma tecnocrático. “O problema fundamental é outro e ainda mais profundo: o modo como realmente a humanidade assumiu a tecnologia e o seu desenvolvimento juntamente com um paradigma homogêneo e unidimensional. Neste paradigma, sobressai uma concepção do sujeito que progressivamente, no processo lógico-racional, compreende e assim se apropria do objeto que se encontra fora. […]

A mentalidade utilitária, que fornece apenas uma análise estática da realidade em função de necessidades atuais, está presente tanto quando é o mercado que atribui os recursos como quando o faz um Estado planificador.

Definitivamente, a proposta é uma educação e uma espiritualidade ecológicas que aponte para outro estilo de vida onde possamos nos cuidar e educar uns aos outros.

Abraços,

Margarita

Referência

CARTA ENCÍCLICA Laudato si do Santo Padre Francisco – Sobre o cuidado da casa COMUM. 2015.

 

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3 respostas para O Cuidado da Casa Comum

  1. Marisa Soares disse:

    Boa tarde, professora Margarita e colegas.

    Considero que é muito necessária a reflexão crítica dos avanços científicos e tecnológicos em deterioração de nosso planeta, creio que a base do equívoco desse avanço, esteja numa equivocada concepção filosófica.
    De acordo com o ideal aristotélico do conhecimento, a finalidade da análise de um estudo poderia ser produzida de acordo com quatro tipos ou causas: Causa material, por aquilo que compõe as coisas. Causa formal, pela sua qualidade essencial ou a causa que regulamente globalmente o que acontece. Causa eficiente, pelo efeito mediato que produz. Causa final, pelo objetivo ou propósito do que acontece.
    Por exemplo, caso consideremos um estudo científico apenas em seu modo de causa material, ou seja, a sua fase experimental e suas características físicas, bem como a sua causa formal, dentro de uma explicação analítica dos procedimentos técnicos e metodológicos para a implementação de experimento. Desenvolveríamos um estudo com certa qualidade científica. Entretanto, ainda observamos o esquecimento da causa eficiente, ou seja, impactos sociais e culturais do desenvolvimento do estudo e, principalmente, a modalidade da causa final, ou do seu propósito e contribuição para o desenvolvimento humano.
    É possível considerar que os avanços científicos e tecnológicos têm primado pelas duas primeiras causas, ou seja: material e formal. Entretanto, todas as causas se dialogam entre si e se completam, com a ausência das causas: eficiente e final, estaríamos ignorando a nossa responsabilidade social e humana para com as diversidades de nosso planeta.
    Obrigada pelo espaço desse diálogo.
    Marisa.

    • marvi2012 disse:

      Marisa, eu concordo também com que a tecnologia tem um potencial libertador, o problema ‘e quando grupos se apropriam e não geram relações sociais …Abs

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