Eu quero um milhão de amigos e o direito de esquecimento

Labirinto da virtualidade

 No nosso post de 18 de setembro sobre o Mapa-múndi das comunicações: educação e novas territorialidades, em um dos comentários retomamos Zygmunt Bauman quando disse que, socialmente, sempre tem sido complexo entrar num novo círculo de amigos, e ainda mais difícil sair dele; o que não parece acontecer hoje na rede onde você entra, sai e esquece. A comunidade vai-se resignificando e perdendo, talvez, a dimensão política. Ainda, se escutarmos a canção de Roberto Carlos Eu quero apenas já nos remete a essa dificuldade mas, também, à ideia de navegação, ao vento, à rede, à pesca e ao fato de compartilhar.

Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero ter um milhão de amigos
E bem mais forte poder cantar
Eu quero apenas um vento forte
Levar meu barco no rumo norte
E no caminho o que eu pescar
Quero dividir quando lá chegar

Hoje, no mundo das redes sociais, esse problema parece ser driblado comprando ‘amigos’. Quem disse que amigo é para ser levado no lado esquerdo do peito? Que amigo não se compra? Que amigo não é para se guardar no celular ou na tablet? Se você considera que um robô virtual, likes (curtí!), comentários ou views (visualizações), podem ser comprados aos milhares e representam os amigos, a questão dos relacionamentos sociais se complica.

A ideia que algumas redes sociais querem passar é que o fato de comprar bots (robots) no face (likes), no twitter (FanMeNow), no instagram, no youtube (views) confere pertença a uma comunidade. Por 5 dólares pode-se comprar 4000 amigos. E Roberto Carlos teria que pagar 3.700 dólares por um milhão de amigos!

Isto parece conversa jogada fora, mas é um fato que ocorre já por algum tempo na rede. Lembram que no second life até se compram casas, ilhas, copas e o que se desejar?

Naquele post anterior, nos referimos, também, à tese sobre o número de Dunbar que considera que o limite cognitivo das pessoas é de 150 relações estáveis com as quais um indivíduo pode estabelecer e manter vínculos sociais. Então, de que tipo de relações estamos falando? Que comunidade é essa na qual temos tantos amigos?

Hoje, mais do que à possibilidade de acrescentar, apagar nossos dados e dos  amigos, estes fatos estão relacionado ao direito de esquecimento. O direito do esquecimento é uma medida polémica válida para 28 países da Europa e alguns países vizinhos (não sabemos porque essa limitação), que permite que uma pessoa solicite ao google, mediante preenchimento de um formulário online, a remoção de todos os seus dados por serem inapropriados, irrelevantes ou obsoletos. Nesta solicitação até o direito de memória e de autoria está em jogo. Até onde o google, que detém o 90 % de buscas na comunidade Europeia, pode orientar esse processo?

Por enquanto, pertencer a uma comunidade presencial ou virtual continua um caminho bastante complexo, e driblar o labirinto social e da rede para chegar a conformar um grupo de amigos nos depara com opções, responsabilidades e decisões a tomar…

Abç,
Margarita

Esse post foi publicado em Educação em rede uma visão emancipadora, Educação popular, Educational Networking, Estudos culturais e tecnologia. Bookmark o link permanente.

7 respostas para Eu quero um milhão de amigos e o direito de esquecimento

  1. alessandraef disse:

    Nessa contemporaneidade o conceito de comunidade e rede realmente ainda é complexo. Beijos

  2. alessandraef disse:

    Nessa contemporaneidade os conceitos de rede e comunidade ainda são complexos. Beijos

    • alessandraef disse:

      Mas, uma coisa eu concordo com o Roberto Carlos. “Eu quero apenas olhar os campos. Eu quero apenas cantar meu canto. Só não quero cantar sozinho…” Sempre é bom ter amigos!

  3. marvi2012 disse:

    Olá, Alessandra, eu concordo com a canção e com você, acredito no potencial libertador da tecnologia, sou contra a mercantilização absurda da mesma mas, acredito mais no potencial da amizade e da solidariedade entre nós, as coisas e a natureza. Bj.

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