Escola pública e novas tecnologias – Do giz ao tablet

giz Regina Santos

O uso de novas Tecnologias da Informação e Comunicação na comunidade escolar implica em retomar os conhecimentos curriculares e extracurriculares prévios que possam contribuir com mudanças no dia a dia. Educandos e educadores contam hoje com sites de busca, blogs, sites de relacionamentos, e-mails, salas de bate-papo, listas de discussão, fóruns, videoconferências, TV digital, enfim, recursos inúmeros e formas de expressão que fazem a sociedade repensar-se. A escola precisa refletir sobre seu currículo, seus métodos, seus conteúdos e as competências que deseja. A pedagogia tradicional, apoiada numa didática e metodologia disciplinadora e controladora de ensino, não pode mais responder às necessidades de uma escola que se assume como responsável pela inclusão e desenvolvimento cultural de crianças e adolescentes.

O desenvolvimento de projetos e a produção de conhecimentos dos que nela interagem – alunos, pais de alunos, professores e equipe gestora – não abrem mão das tecnologias disponíveis na própria escola. Esta é uma realidade e um desafio para nós educadores das escolas municipais de São Paulo.

De 2007 aos dias atuais, em relação às novas tecnologias comunicacionais, houve algumas alterações, e a escola incorporou o professor orientador da sala de informática (POIE). Ação importante, embora regularmente cada turma tenha uma única aula por semana e a velocidade de acesso a internet deixa a desejar, comprometendo o desenvolvimento de atividades de pesquisa e a realização de trabalhos das temáticas curriculares.

A promessa de inovação e melhorias com as tecnologias nas escolas públicas da rede municipal foi renovada no final de 2012, quando foi amplamente divulgada a compra de tablets (30 por escola), para apoio ao trabalho pedagógico junto aos alunos. De cada escola, um ou dois professores foram preparados para dar suporte técnico ao uso dos equipamentos, mas, até o momento, pouco do prometido foi efetivamente implantado.

Nossas escolas públicas carecem de apoio e de ações de políticas para a superação desta realidade. Apesar de destinarem recursos para a compra e uso de equipamentos de informática – computadores, tablets e rede sem fio para acesso à internet no ambiente escolar, educadores e gestores precisam estar cientes dos avanços das tecnologias da informação e da gama de recuros comunicacionais existentes na sociedade global do século XXI. Ou seja, deixarem para trás o quadro de giz, o livro didático, muitas vezes com a validade vencida e descontextualizado, para apropriarem-se das atuais tecnologias educacionais e usá-las para o acesso à educação, ao conhecimento e à pesquisa educacional. Obviamente que todo este dinâmico processo tem custo e precisa se desenvolver na perspectiva de uma proposta didático-pedagógica apoiada pelas políticas públicas de educação que contemple a cidadania.

Do papel à tela do computador, passando pelo rádio, a cidadania e a autonomia escolar, especialmente nos bairros periféricos, podem ser criadas e fortalecidas. A propósito, vale ressaltar a importância da obra Educação em rede – Uma visão emancipadora para o debate e o processo de formação. O professor e a equipe gestora, durante a elaboração do PPP (Projeto Político Pedagógico), devem estar atentos ao modo e à finalidade de inserir recursos e procedimentos para uso das tecnologias no processo de aprendizagem. O apoio da direção escolar e da supervisão a estas ações é imprescindível.

Referências
 Educação em rede: Uma visão emancipadora. São Paulo: Cortez/IPF, 2004.
LEMOS, Andre. Cibercultura, cultura e identidade. Em direção a uma cultura Copyleft – Ensaio Contemporâneo.Revista de Comunicação e Cultura, Dez 2004.
LEVY, Pierre. Cibercultura. 3 ed. Porto

Esse post foi publicado em Educação em Rede, Planejamento estratégico. Bookmark o link permanente.

2 respostas para Escola pública e novas tecnologias – Do giz ao tablet

  1. Marisa Soares disse:

    Bom dia, Regina e colegas

    Concordo com a importância das Tecnologias da Informação estarem incorporadas ao processo de ensino e aprendizagem do ensino público. Minha experiência situa-se no município de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, no qual foram adquiridos 15 mil unidades de computadores portáteis pela Prefeitura, para serem utilizados por 43 mil alunos do ensino fundamental. Através de internet banda larga, as crianças podem utilizar a rede para fazer pesquisas e também para fazer trabalhos desenvolvidos em sala de aula. Além do acesso ao mundo virtual, os equipamentos trazem banco de dados com aplicativos educacionais e diversas ferramentas multimídia. Na prática acompanhei uma escola do ensino fundamental nos ciclos I e II. Os computadores funcionam bem, a diretoria implantou sistema Wireless, no pátio e em todas as salas de aula, assim as crianças utilizam pelo menos três vezes por semana a informática, ou seja, no laboratório de informática com a professora específica de informática, no recreio dirigido e em sala de aula com a professora da turma.
    O princípio didático-pedagógico em sala de aula é a pesquisa como norteadora de estudos temáticos, os alunos aprendem a pesquisar, selecionar sites, avaliar os resultados das pesquisas em grupo, sintetizar os textos e análise em grupo, com debate em sala de aula. Essa sistemática acompanhei em uma turma do 2º ano do ciclo II. Há crianças que não têm acesso ao computador em casa e outras que já apresentam certa familiaridade, entre elas observei atitudes de parceria e a sociabilização de conhecimentos, Tanto que, algumas crianças se dispuseram à participação voluntária, com o devido apoio dos pais, de no contra turno da escola, virem dar monitoria aos colegas com alguma dificuldade.
    A informática e os meios de comunicação são ferramentas de apoio pedagógico importantes, porque estão presentes no cotidiano da vida urbana atual, assim como considero que a profissionalidade dos atores da escola e a participação das famílias constituem-se como ponto chave para que funcione a aplicação efetiva de uma pedagogia diferenciada.
    Além do aspecto pedagógico, precisamos considerar a necessidade da inclusão digital, conforme o Instituto Brasileiro de Direito da Informática (IBDI), o Brasil já tem 14,3 milhões de internautas residenciais: o crescimento de 2,44% em relação a setembro de 2002 mostra que, apesar da crise, a Web brasileira continua crescendo (2013). Todavia, o uso da Internet no Brasil ainda não se democratizou, porque uma esmagadora parte da população brasileira está excluída dos avanços da tecnologia da informação. Tendo-se em vista de que, são dezenas de milhões de pessoas que não têm acesso à informação ofertada na rede mundial, sendo marginalizadas pela exclusão digital.
    Uma das contribuições das famílias e das escolas, situa-se em fornecer critérios críticos e avaliativos para que os alunos saibam utilizar essas ferramentas da informação, as quais ao mesmo tempo que apoiam a aprendizagem e diminuem distâncias, também carregam ideologias e fornecem mais clientes para o mercado tecnológico.

    Marisa.

    IBDI- Instituto Brasileiro de Direito da Informática . Acesso em 06-02-14.

  2. vima disse:

    Marisa, gostei e agradeço por compartilhar a sua experiência. Acredito que educar pela pesquisa é uma opção criteriosa da escola na era da rede virtual. Parabéns! Os alunos e os professores aprendem, pensam o processo de pesquisar, as estratégias para selecionar sites, avaliar e apresentar os resultados das mesmas para o grupo escolar e para a família. O fato de sermos contemporâneos da chamada era da informação e da comunicação nos coloca diante do desafio de continuar fazendo a partir das condições existentes. Um abraço, Margarita

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s