Nas ondas do rádio: as escolas públicas do município de São Paulo

ondasNesta reflexão sobre o rádio educativo no Brasil, o rádio na escola e as contribuições da práxis do fazer comunicação e educação é oportuno citarmos o professor argentino, que morou muito tempo no Uruguai, Mário Kaplún, quem utilizou o  termo educomunicación em textos para designar atividades, denominadas na América Latina dos anos 70, como “educação para a comunicação”, “leitura crítica dos meios” ou, de forma mais aberta, “comunicação educativa”. A trajetória de Kaplún em prol do desenvolvimento da rádio como instrumento de inclusão social é inspiradora. Tal como Paulo Freire, ele também  desenvolveu conceitos a partir de uma práxis democratizadora, antes, durante e após o exílio a que forçosamente foi submetido pelos governos ditatoriais dos países da América Latina em que viveu longamente  ou teve breve passagem.

É interessante ainda, para debater este assunto, revisitarmos a legislação brasileira de educação que ancora conceitos e ações de educação a partir de instrumentos comunicacionais. Destacamos a Lei Federal nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 1996. Conforme o Art. 32. Item III: “terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade. … A compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina. 

Conhecer os programas e ações desenvolvidas junto às escolas públicas da Cidade de São Paulo, numa perspectiva educomunicacional, é importante e pertinente. Inicialmente o programa EDUCOM, foi implantado nas escolas públicas de São Paulo coordenado pelo Núcleo de Comunicação e Educação – NCE – da USP.

Um aspecto importante do sistema de comunicação que se vale das ondas de rádios é a transmissão de dados – vozes e som através do celular. Hoje é comum nas escolas o uso de aparelhos eletrônico, celulares e tablet nos corredores e pátios das escolas, ouvindo diversos estilos de músicas como o rock, fank, blak music e outros. Colocam-se a disposição dos alunos recursos tecnológicos que a escola precisa aprender a lidar no processo de aprendizagem educacional.

Deixamos aqui o convite para o debate com Regina Santos a ser realizado na terça-feira 19 de novembro! 14h!

Referências
ALVES, Patrícia Horta. Educom.rádio: uma política pública em educomunicação. Tese de doutorado em Comunicação, São Paulo, USP, 2007.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 33a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
____________. Extensão ou comunicação? São Paulo: Paz e Terra, 1992.
GOMEZ, Margarita Victoria. Educação em rede: uma visão emancipadora. São Paulo: Cortez, 2004.
KAPLÚN, Mario.  A la educación por la comunicación. La práctica de la comunicación educativa – UNESCO/OREALC, Chile, 1992.
LEVY, Pierre. Cibercultura. 3ª ed.  São Paulo: Editora 34 , 2010.
MARTÍN-BARBERO, Jesus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2001.
SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação, contribuições para a reforma do ensino médio. São Paulo: Paulinas, 2011.

Visite também: √O Manifesto dos Pioneiros

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19 respostas para Nas ondas do rádio: as escolas públicas do município de São Paulo

  1. Daniela Albertin disse:

    Regina, professora e demais colegas, boa tarde!
    Gostaria de iniciar este diálogo dizendo que é bastante salutar a ideia da Regina que trouxe sua própria prática educativa para ser debatida aqui neste espaço pedagógico.
    Uma primeira questão que eu gostaria de ouvir mais atentamente da Regina diz respeito à aceitação/envolvimento dos alunos neste Projeto de Rádio nas Escolas Públicas. Como ela mesma disse: “conhecer os programas e ações desenvolvidas junto às escolas públicas da Cidade de São Paulo, numa perspectiva educomunicacional, é importante e pertinente”.
    Gostaria que a Regina pudesse explanar um pouco mais a oportunização do rádio como meio pedagógico, sua aderência aos conteúdos já desenvolvidos na escola e a aceitação/envolvimento dos educandos neste novo e promissor projeto.
    Obrigada pela atenção de todos.

    • Regina disse:

      Daniela, pra mim é um prazer e de fato me sinto honrada em poder participar neste espaço onde o foco são as tecnologias da comunicação e o potencial das mesmas para fazer da educação instrumento de formação crítica cidadã. Espero poder contribuir com este debate e passar em síntese o que experiencio no cotidiano do trabalho que desenvolvo como Professora, Educadora em escolas públicas da cidade de são Paulo.

  2. Regina disse:

    Bom, quanto ao Projeto de Radio na Escola onde atuo, gostaria de registrar que é uma experiência gratificante, embora bem recente e ainda tenra… sempre tive uma “queda” por comunicação e obviamente por tecnologias comunicacionais no contexto de projetos e ações formadora, junto a adolescentes e jovens. No início deste século, busquei qualificar-me um pouco nesta área, visando potencializar o trabalho social de mídia inclusiva que paralelo com a docência em escola pública eu desenvolvia junto a comunidades de bairro – áreas menos favorecida – localizada na região leste da capital de São Paulo. Procurei a ECA- USP e nos anos de 2002/2003 fiz o curso de Gestão de Processos Comunicacionais – um espaço e oportunidade de conhecer e refletir sobre conceitos teóricos da área de comunicação, seus autores e prática. Sempre tive um “pé dentro e outro fora” da sala de aula. É importante repensar tudo isto agora, pois trabalhar com projetos sociais, de uma certa forma me ajudou a não desejar muito a segurança do ” quadradinho” das salas de aula… e isto é fundamental quando se pretende realizar ações de envolvimento de crianças e adolescentes nas escolas…

  3. Daniela Albertin disse:

    Regina, quando você disse que sempre teve “um pé dentro e outro fora” da sala de aula justamente esta trazendo o que a pedagogia freireana coloca para todos nós: o diálogo com o mundo em que estamos inseridos, para que possamos nele e com ele refletir e dialogar. Penso que é importante comentar que há várias maneiras de estabelecer esta conectividade que tanto Paulo Freire vem elucidando em seus trabalhos. O rádio é mais uma das formas de comunicação à disposição do homem, mas muito importante como construtor de uma história, de uma identidade nacional e de uma voz social, por vezes oprimida, neste país chamado Brasil. Excelente trabalho! Espero que possamos continuar dialogando sobre este tema tão interessante e enriquecedor.

  4. Regina disse:

    Na Escola da Prefeitura em que coordeno o Projeto do Grêmio Estudantil, surgiu a necessidade de inserirmos nas ações de empreendedorismo dos alunos a comunicação. No ano passado(2012) por ocasião da campanha eleitoral este grupo que acabou sendo eleito, havia prometido criar a Rádio na Escola. Os equipamentos tradicionais de rádio a escola já tinha ( ainda fechado e lacrado, desde que recebera no período de implantação do Projeto Educom – ainda sob a coordenação do NCE – da USP) Daí , para começarmos de fato a construção do Projeto, foi um passo.. Depois o Projeto recebeu um Notebook da direção da escola e a equipe está usando este equipamento acoplado ao aparelhamento antigo… Foi muito interessante cada momento desta experiência com os meninos… a descoberta de da função e o domínio gradativo das tecnologias de comunicação – de cada botão ao microfone… está sendo gratificante compartilhar com eles esta experiência….

    • Daniela Albertin disse:

      É um trabalho “com” e “para com” esses jovens que, como nós, está construindo conhecimentos, em meio aos saberes que cada um de nós já possui. É uma experiência conectiva, dialógica e atual, porque promove o protagonismo juvenil, dá vez e voz a estes jovens, promove a reflexão de seu status quo por meio do uso e da manipulação da educomunicação e desenvolve a autonomia destes sujeitos, que passam de expectador a participantes ativos deste processo educativo. É um trabalho muito interessante mesmo!

  5. adriano salmar nogueira e taveira disse:

    Comentário: Prezada Professora REGINA. Li e estou curtindo sua reflexão sobre RADIO, radio e rede de comunicações na educação. A medida em que fui lendo… “veio-me” uma pergunta, tratarei de colocar aqui (e espero que o faça com clareza). Na educação temos um, todos nós, um ponto de teste que se chama: AVALIAÇÃO. Ponto de teste quer dizer: avaliar é parte da educação, avaliar com qualidade é fundamental, avaliar é retroalimentar processos de aprendizagem…..portanto avaliar não se resume a medir. Pergunto como é que este ponto pode ser pensado (e encaminhado) na edu-comunicação que a Profa. Regina trabalha??.
    agradeço sua reflexão e atenção. prof. adriano salmar nogueira e taveira.

    • Regina disse:

      Olá, Professor Adriano,
      Concordo com o conceito avaliação enquanto instrumento educativo que nos permite retroalimentar processos de aprendizagem, a medida em que é fundamental que todos os envolvidos no processo educacional – alunos e professores tenham a oportunidade de na caminhada do fazer educação refletir, rever, voltar o olhar ( muito mais que mensurar) para dentro, do processo e de si mesmo ( cada um, cada qual) avaliando a aprendizagem, o que foi agregado de aprendizagem e valor) Neste contexto o educador também avalia sua prática e os caminhos que junto com os alunos construiu. Em minha trajetória na educação tenho perseguido esta concepção de avaliação, não é fácil, mas como afirmei neste blog, sempre fujo um pouco do “quadrado” em educação e também em avaliação, até porque defendo a avaliação como um recurso contínuo que nos impede, nos monitora um pouco no cotidiano de fazer educação e nos ajuda a errar menos….

  6. Regina disse:

    Daniela, essa coisa de estar fora e dentro eu até escrever estas linhas de participação, ao responder tuas provocações, não havia pensado profundamente sobre isto ,mas você tem razão, é por isso que cada dia mais me identifico com Paulo Freire e tudo que ele defendeu enquanto educador de plantão em defesa de uma educação “emancipadora e reveladora de mundos”.

  7. adriano salmar nogueira e taveira disse:

    Prezada profa. REGINA SANTOS. Li seu texto-contribuição. Fui lendo e uma curiosidade foi emergindo: COMO É QUE FICA A AVALIAÇÃO??. Me explico melhor. Estou supondo que avaliação é uma retroalimentação, avaliar subsidia ao processo de aprendizado (dos educandos e do educador). Portanto avaliar nao se restringe a medir quantidades de conhecimentos “acumulados” pelo aluno. Nesta suposição (que fiz) minha curiosidade seria: como proceder á avaliação no contexto da EDU-COMUNICAÇÃO, rádio, em que seu trabalho acontece??.
    Espero ter sido claro. E grato pela sua atenção. prof. adriano salmar nogueira e taveira

  8. marvi2012 disse:

    Regina, Gostei da apresentação de Mario Kaplun e do movimento latino-americano de educomunicadores, do qual Paulo Freire faz parte, mas, vou procurar saber mais sobre o diferencial deste movimento com o movimento europeio de educomunicadores?

    • Regina disse:

      Olá, também não conheço muito o movimento europeu de educomunicadores. E como sempre combati o eurocentrismo…. Sei que esta questão não é um conceito foco neste momento em nosso debate, mas de uma certa forma a critica que tenho a esta prática histórica de exclusão perpetuada pela elite europeia ao longo do colonialismo e neocolonialismo, de uma certa forma dirige meus interesses por experiências e conceitos também vivenciados na periferia , ou seja na América latina e África. Daí o estreitamento de laços e afinidades com Paulo Freire e suas concepções e mais recentemente uma aproximação e pesquisa da trajetória e contribuições de Mario Kaplun .

  9. Regina disse:

    Agradeço os comentários e a oportunidade de compartilhar experiência e ideias que fazem dos recursos tecnológicos comunicacionais instrumentos a favor de um uma escola envolvente, participativa em que a cultura e a identidade das crianças e adolescentes não são apenas respeitadas mas se fazem presente nas ações diárias do fazer a educação, nas salas de aula, no pátio, na quadra e até mesmo nos minúsculos espaços destinados a guardar os equipamentos de rádio nas escolas publicas, local onde estes alunos (através de uma coordenação representativa da maioria) se encontram e traçam ações para fazer da rádio na escola , algo a mais…. na vida deles. Regina Santos.

  10. Daniela Albertin disse:

    Professor Adriano, se permite-me o comentário, o Programa Educomunicação trabalhado nas Escolas da Prefeitura de São Paulo é um Projeto previsto no currículo e até onde eu sei ele não entra no quesito avaliação escolar. Ele acontece no ambiente escolar, no contraturno da aulas, os alunos que se interessam pelo tema proposto se inscrevem, são formados grupos pequenos de 15 alunos e por se tratar de um projeto extracurricular não entra no eixo avaliação das disciplinas curriculares “normais”.

  11. mrpenteado disse:

    Olá, Regina e demais!

    Peço desculpas por entrar no debate apenas agora, mas estava em consulta no dentista e acabei de chegar em casa.
    Já tive o prazer de conversar bastante com a Regina (quando da disciplina de Metodologia, que cursávamos juntos no semestre passado). Foi uma surpresa quando você comentou sobre a atiação de Paulo Freire no movimento latino-americano de educomunicadores. Por isso, lanço um tópico para continuar o círculo.
    Creio que as propostas de uso do rádio na educação poderiam ser trabalhadas de maneira a promover a interdisciplinaridade nas escolas, ms esbarram na antiga resistência ao novo por parte de muitos professores. Seria, talvez, o medo do novo ou a estabnação de alguns.
    Sei que se trata de algo que a própria Regina trabalha há muito com seu grupo de alunos e pergunto: como quebrar essa resistência por parte dos professores e como levar mais alunos a participar ativamente das atividades?

    Abraços e até mais!

  12. Margarita disse:

    Olá Regina, gostei do debate já que nos permitiu conhecer e compartilhar a sua prática educacional com o Projeto de Rádio nas Escolas Públicas envolvendo parte da comunidade. Percebe-se a importância do rádio como meio/dispositivo pedagógico, como parte do contexto gerador onde os conteúdos são desenvolvidos a partir da cultura escolar. Isso levaria a certa aceitação/envolvimento dos participantes nesse processo de aprendizagem tão importante hoje no mundo contemporâneo cheio de artefatos comunicacionais.
    Por isso, o pensamento pedagógico latino-americano que busca o encontro e o diálogo entre as pessoas está presente nesta escolha epistemológica e metodológica feita com as contribuições de Freire, Kaplun, Martin Barbero, Soares, entre tantos outros. Na reflexão aparece como importante buscar, também, no pensamento pedagógico critico-emancipador de outros continentes do sul (Ásia e África) para achar o diferencial para um eventual dialogo com outros contextos educo-comunicacionais. E, ainda, estamos falando de um sujeito pedagógico autônomo, possível a partir de certos saberes (Freire): não há docência sem discência; ensinar exige rigorosidade metodológica; ensinar não é transferir conhecimento (ou informações pelo radio) e educar é uma especificidade humana.
    Regina, continuaremos conversando sobre o tema neste e em outros momentos /espaços. Um abraço, Margarita.

  13. Regina disse:

    Prof. Margarita, realmente é importante na reflexão sobre as experiências de Educomunicação, considerarmos as contribuições de pessoas que através de sua práxis também tem algo a acrescentar ao circulo cultural do debate que ora fazemos!

    Desejo aproveitar o ensejo para ampliar a reflexão sobre uma questão colocada neste circulo sobre as experiências europeias de educomunicação. A principio afirmei neste blog (respondendo a esta temática) que a crítica ao eurocentrismo me fez dirigir olhar muito mais para as experiências desencadeadas nas regiões periféricas do sistema capitalista. Ocorre-me no entanto que não devemos esquecer que o processo histórico é dialético e portanto no seio de uma nação opressora, expropriadora de outras nações e povos, se faz presente também líderes sociais e políticos gente do povo ou não, que combate incansavelmente a opressão e a desigualdade que testemunham. Portanto, é importante considerarmos também neste circulo de debate, tais experiências.

    Através da pesquisa, da leitura e dos inúmeros das mediações que podemos fazer a partir dos recursos comunicacionais que temos disponíveis hoje, creio que podemos avançar muito neste debate. Fica aqui posto este convite-desafio a nós que estamos neste “circulo-cultural- digital” em prol e em torno das comunicações enquanto aliados de uma educação emancipadora, como afirmou Freire.

  14. marvi2012 disse:

    Regina, concordo com você nessa leitura dialética. Na realidade, a rádio oferece a possibilidade de gerar um espaço cultural, de expressão infanto-juvenil a partir da comunicação …além dos muros da escola. Para conhecer outras projetos e experiências de Rádio desenvolvidos em escolas do Brasil pode visitar o site http://portaldoprofessor.mec.gov.br/link.html?categoria=11

    Bem lembrado, Freire criou a Rádio Universitária 820AM em 1963, num momento muito especial do país e da universidade, vale a pena conhecer essa experiência educacional.

    abraços

  15. Stefanelli2014 disse:

    Olá profa. Regina
    Parabéns pela seu trabalho, compartilho com você e os demais colegas as atividades desenvolvidas em sala de aula com uso da rádio, hoje e possível encampar uma rádio web. Tem vários exemplos de atividades desenvolvidas pelos alunos. Você pode consultar no site http://www.radiofederaleducativafm.com

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