Mapa-múndi das comunicações: educação e novas territorialidades

rizoma

Vulcano, Atlas, Hércules e Prometeu fizeram seu trabalho com força transformadora das coisas e do mundo. Hermes, adormecido por muito tempo, acorda no global tecendo mensagens em uma rede bem tramada permitindo as interseções, as convergências, os encontros de emissores e receptores.

Um novo atlas desenha o mundo e a nossa relação que antes eram local-local, agora é local-global[…]” (Cf.:Michel Serres, 1997, p.251). A devoção a Prometeu cessou; Hermes se faz presente com a comunicação, a interferência, os trânsitos, a tradução e as redes. Os arcanjos, mensageiros e mensagens, nos remetem aos mais recentes desenvolvimentos, tecno-logias que tem impactado o processo de aprendizagem.

O panorama da educação superior está mudando com a utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), dos Recursos Educacionais Abertos (OER), do M_learning (Mobile_learning ou aprendizagem móvel) e permitem conexões insuspeitas, compartilhar experiências, aprender, discutir caminhos e o roteiro estratégico para continuar fazendo, nesta paisagem de mudanças sociais, culturais e educacionais.

A internet nos apresenta uma nova territorialidade como espaço de saber –poder, uma pantopia total da comunicação integrada que nos ajuda a pensar: Quais as prolongações? Onde fazemos? Por onde nos propagamos?  Que fazer? Quem somos? O próximo se prolonga, se expande e se conecta propagando-se, para mostrar a passagem para outra educação e outra cidadania. E, nos perguntamos se esse perfil móvel e volátil, traçado por Serres, o mapa- mundi das comunicações, é valido para qualquer instituição? Como é o mapa-múndi do ensino virtual? As relações espaciais conectam, na rede, a parte ao todo traçando novos espaços. Quais são as características do novo atlas que  nos permite situar-nos no mundo e nele circular?

 Referências
Serres, M. Atlas, 1995, Madrid: Julliard.
Serres, M. Entrevista de Ricardo Teixeira. Novas tecnologias e sociedade pedagógica Uma conversa com Michel Serres. Interface (Botucatu) [online]. 2000, vol.4, n.6 [cited  2013-08-18], pp. 129-142 .

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10 respostas para Mapa-múndi das comunicações: educação e novas territorialidades

  1. Marcia Toledo disse:

    Mudamos da auto-estrada da informação para a navegação na internet.

    Serres (1995) nos permite a pensar em um novo modelo de mapa-mundi (Atlas) em novos tempos de navegações, a era tecnológica, em que no virtual por meio da internet podemos estar em lugares diferentes, de um ponto extremo do sul ao extremo do norte, em questões de segundos.

    Deixamos a auto-estrada, que apenas nos direcionava na questão do saber, num modelo fixo e estático para uma navegação, mesmo apresentando “flutuação, tempestades, turbulências, coisas não tão direcionais” temos flexibilidade e fluidez para resolução de possíveis problemas.

    Construímos novas relações e criamos vínculos mesmo que sejam diferentes para a sociedade de algumas décadas atrás. O virtual sempre existiu e esteve presente na sala de aula no processo de ensino e aprendizagem. Quando ensinamos geografia de determinado estado, não estamos fisicamente no local, analisando as paisagens e o solo com os nossos alunos.

    Neste novo virtual, o que mudou é a ferramenta que temos em nossas mãos, a internet que nos dá possibilidade de maior aproximação e liberdade para a troca de novos saberes.
    Em continuidade, o autor nos deixa claro que a diferença é a velocidade do tempo e o espaço que ocupamos, nesta nova exploração com um modelo de mapa-mundi atual, necessitamos de fazer coisas novas, voltar ao ponto para novas partidas numa exploração permanente de aprendizagem. Houve uma mudança profunda na relação de alunos e professores, na relação dos saberes e do conhecimento.

    Por estarmos em uma Sociedade Pedagógica (2000), buscamos informações em novas fontes, o acesso à informação é aberto e para todos por meio da internet. “Portanto o laço social está cada vez mais fundado na circulação da informação.” Podemos aprender com outras pessoas, mesmo que não sejam professores, por meio de blogs, sites de informação, facebooks e outros tipos de redes sociais.

    Referências
    Serres, M. Atlas. Madrid: Julliard, 1995.
    Serres, M. Novas tecnologias e sociedade pedagógica. Uma conversa com Michel Serres. Em: Interface (online). Vol. 4, n. 6. Botucatu, 2000.
    Serres, M. Programa Roda Viva, entrevista em 08/11/1999. Em: http://www.rodaviva.fapesp.br . Acessado em 20/08/2013.

    De: Márcia Cristina Barragan Moraes Toledo

    • marvi disse:

      Marcia, concordo, a nossa relação com o mundo mudou, o local é inseparável do global e na educação um novo mapa mundi está sendo traçado. O tempo e o espaço a partir das prolongacões, das propagações e das proximidades necessita ser re-pensado e estudado de maneira que nos permita circular como educadores comprometidos com a cidadania.
      abç

  2. mrpenteado disse:

    “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
    Muda-se o ser, muda-se a confiança:
    Todo o mundo é composto de mudança,
    Tomando sempre novas qualidades.[…]”

    Camões aponta para nós, já no século XVI, novos caminhos para um novo mundo. Assim como nossos antepassados lusitanos fizeram, hoje nós nos lançamos a um mar imenso e desconhecido, com desafios e novidades mais e mais sedutoras. A rede mundial é ainda um território desconhecido que necessita ser mapeado e apresentado a muitos. E hoje, nós somos desafiados a construir esse mapa, (re)pensando as conexões de que necessitamos para interagir com nossos vizinhos virtuais.
    Ontem, os lusos atravessaram o mar e chegaram ao outro lado do mundo, prolongando as fronteiras do império, propagando o idioma e a cultura lusitana até a Oceania. Nosso papel no mundo da virtualidade é o mesmo: prolongar as fronteiras do conhecimento e propagar a informação a todos aqueles com os quais nos conectamos.
    Enquanto professores, somos os portugueses. Mostramos aos nossos alunos, hoje, o que aqueles nos mostraram com sua ousadia em lançar-se a ‘mares nunca d’antes navegados’. Sejamos, pois, ousados e lancemo-nos ao mar da virtualidade. Mostremos a eles a rota para atravessar o mundo e atingir seu estremo oposto, a informação, por meio dos novos caminhos que a virtualidade apresenta hoje.
    O novo mapa é aberto, com inúmeras bifurcações e desvios que nos levam a um mesmo lugar: à informação. Cabe a nós desenhar um novo mapa, traçar novas rotas sem medo, lembrando Pessoa:

    “[…] Valeu a pena? Tudo vale a pena
    Se a alma não é pequena.

    Quem quer passar além do Bojador
    Tem que passar além da dor.
    Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
    Mas nele é que espelhou o céu.”

    CITAÇÕES:
    Luis Vaz de Camões – “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”
    Fernando Pessoa – “Mar portuguez” (IN.: Mensagem)

    • marvi disse:

      Marcos, eu gostei de seu comentário. Em época de grandes navegações nos lançamos e lançamos a rede… o oceano nunca foi obstáculo, foi uma via para estabelecer vínculos com outros… O mais longínquo se torna próximo… Talvez, tenhamos que procurar navegar e chegar nas outras costas não para colonizar e sim para compartilhar e conhecer coisas novas, conhecer-nos. Cabe a nós professores e estudantes desenhar um novo mapa que nos permita circular e fazer a educação possível.
      abç

  3. Daniela disse:

    Destaco o último trecho do texto afim de ser comentado:

    “A internet nos apresenta uma nova territorialidade como espaço de saber –poder, uma pantopia total da comunicação integrada que nos ajuda a pensar: Quais as prolongações? Onde fazemos? Por onde nos propagamos? Que fazer? Quem somos? O próximo se prolonga, se expande e se conecta propagando-se, para mostrar a passagem para outra educação e outra cidadania. E, nos perguntamos se esse perfil móvel e volátil, traçado por Serres, o mapa- mundi das comunicações, é valido para qualquer instituição? Como é o mapa-múndi do ensino virtual? As relações espaciais conectam, na rede, a parte ao todo traçando novos espaços. Quais são as características do novo atlas que nos permite situar-nos no mundo e nele circular?”

    As respostas às questões levantadas, certamente, não são fáceis nem objetivas; pelo contrário, demandam características peculiares em se tratando de uma ferramenta que para o mundo ainda é nova – a internet. Embora ela disponibilize o mundo ao alcance de nossos olhos, penso que há alguns sentidos que precisam primeiramente ser despertados in loco, ou seja, no local ali onde nascem os gostos, as vontades, os interesses comunitários, para que possamos despertar os saberes mais gerais. É fato que os temas globais que se colocam em questionamento em nossa sociedade são grandes propostas para serem repensadas por todos, e especialmente na escola, um lugar onde as trocas e os saberes devem ser partilhados e compartilhados.

    No entanto, penso que o mapa-mundi do ensino virtual precisa ser pensado, antes do global, em seus aspectos locais, para que possam ir ao encontro das necessidades que ali mais urgentemente se apresentam, dadas as especificidades de cada região/sistema/população. O conhecimento global pode massificar todos os locais, mas é o local que se claramente esmiuçado torna-se global no conhecimento humano. Muitas vezes, as pessoas não querem mais ser pensadas como um produto pronto, uma receita de bolo, mas como um ser que, estando em um contexto global, é único em sua criação. Será que podemos/conseguimos transmitir esse conceito de unidade para a globalidade que o ensino midiatiazado pela internet nos apresenta? É um fato a ser pensado.

  4. marvi disse:

    Daniela,
    Interessante o seu questionamento, como conseguir a ´unidade na diversidade´, tema que me parece indispensável para a educação cidadã, e que é anterior ao mundo da internet, á esfera virtual. Implica, perguntar-nos, como você bem alerta: na escola, na universidade onde trabalhamos, quais os gostos que nascem, quais as vontades, quais os interesses comunitários, quais os desejos? Seu questionamento é coerente com a nossa discussão.
    Alguém disse: “se queres ser global começa a cultivar teu próprio quintal”. E, ainda, Rigobeta Menchu , Premio Nobel da paz disse ; no Foro Social do Rototom 2013, “Construímos juntos espaços de esperança”, para isso o “intercâmbio de ideais, energias, trabalho e conhecimento, que é o que mais necessitamos agora: estar juntos”*

    *Rigoberta Menchú: “Cultivar a nossa consciência universal para transformar o futuro”. – See more at: http://www.rototomsunsplash.com/pt/news-sp-1910600533/374-festival-2013/culture/3459-rigoberta-menchu-cultivar-a-nossa-consciencia-universal-para-transformar-o-futuro#sthash.wHV2ZBUl.dpuf

  5. Caminhos da Conectividade
    Antigo e atual! Dimensões de um mesmo mundo que, segundo alguns autores, entre os quais Pierre Levy e Manuel Castells, proclama-se na era da informação ou, para outros, na era do conhecimento. Trata-se de uma nova sociedade global estruturada e estruturando-se, permanentemente, em redes. Uma nova estrada que se configura, virtualmente, graças às novidades tecnológicas, expandindo-se e promovendo a difusão das culturas. Consequentemente, este novo contexto, desafia-nos a reorganizar o espaço-tempo, que parece encurtar-se na proporção da velocidade, sempre crescente, da informação.
    Essa nova territorialidade reconfigurada a partir da comunicação nos provoca o pensar sobre conceitos que dela emergem, entre eles, o da conectividade, responsável pelo trânsito de eventos, dados, informações, conhecimento, interações etc.
    Com isso, outras relações pessoais emergem. Segundo Zygmunt Bauman, filósofo polonês, essa realidade traz consigo, contraditoriamente à acessibilidade dos contatos, uma vulnerabilidade das relações humanas. A facilidade de conectar-se e de desconectar-se apresenta-se como duas condições, às vezes, antagônicas dos laços humanos. Mas se concordamos que estamos em uma estrada dentro desse novo atlas, devemos também nos lembrar que ela é um ótimo local para encontros. A conectividade é, portanto, um fenômeno ontológico e social, construção histórica que, por sua dialética, é possibilidade, devir. Ela é fruto dos opostos: conexão e desconexão.
    No contexto atual, podemos dizer que tal condição está apta a promover uma outra inteligência que auxiliará na construção de uma consciência, poderíamos dizer, conectiva. Que essa nova categoria nos ajude a recuperar nossa ousadia, curiosidade e encantamento, condições do conhecimento humano que, se bem estimuladas, poderão contribuir para a realização de pessoas que, conscientes, lutem por “um mundo menos feio, menos malvado e mais humano”, como prenunciou Paulo Freire.

    FREIRE, Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação; uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. São Paulo: Moraes, 1980, 102 p.
    ______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 2009, Paz e Terra
    SERRES M. Atlas. Madrid: Julliard, 1995.
    ______. Novas tecnologias e sociedade pedagógica. Uma conversa com Michel Serres. Em: Interface (online). Vol. 4, n. 6. Botucatu, 2000.
    ______. Programa Roda Viva, entrevista em 08/11/1999. Disponível em: . Acesso em: 20 ago. 2013.

  6. marvi2012 disse:

    Denize, gostei do comentário, você chama para pensar a conectividade como uma categoria ontológica, até antropológica, feita nas relações, no cotidiano…. mas também concordo com Bauman quando disse que socialmente sempre tem sido complexo entrar a um novo círculo de amigos, e ainda mais difícil sair desse círculo, o que não parece acontecer hoje na rede….no dizer de ®oberto Carlos “Eu quero ter um quintal sem muro…..
    Eu só não quero cantar sozinho,
    Eu quero um coro de passarinhos
    Quero levar o meu canto amigo…
    A qualquer amigo que precisar…
    eu quero ter um milhao de amigos

    Seria bom saber se a tese sobre “o número de Dunbar que se refere ao limite cognitivo das pessoas em relação com as quais um indivíduo pode estabelecer e manter relações sociais estáveis”
    Abç

  7. Pingback: O mapa-múndi limitado | Pedagogia da Virtualidade

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