A América renegada

Alessandra Gaidargi

Estamos en el mundo para entreayudarnos y no para entredestruirnos
Simón Rodríguez

Por que na America Latina, a despeito de todos os dissabores da colonização, os povos continuam aceitando políticas de educação excludentes, que legitimam e permitem ditaduras e abusos de poder?

Em 1838, há quase cem anos, era publicado Luces y virtudes sociales, de Símon Rodríguez. Naquele momento ele já chamava a atenção a uma situação que não mudou até hoje: a juventude não se levanta contra a falta de oferta de educação.

La juventud americana necesita abrir los ojos sobre su situación política, y los niños tienen que aprender a leer; los jóvenes que han de reemplazar a los padres de hoy, deben pensar e escribir mejor que sus abuelos, se quieren que en América haya pátria y lengua. (RODRIGUEZ, 1838)

Rodríguez fala à juventude americana, não apenas aos jovens colombianos, argentinos ou brasileiros, porque já entendia que este é um problema comum na América Latina. A começar pelo fato dos latino-americanos não se considerarem americanos! A ideia de inferioridade intelectual de colonizados está tão arraigada entre nossos jovens que até nos detalhes pode ser percebida.

Pela educação as gerações se superam, e é da educação básica que derivam as outras educações, inclusive a política e a social. Os jovens dos povos latino-americanos são conhecidos em suas sociedades pelo engajamento político no sentido estrito, de luta sindical, mas parecem não se dar conta do quanto sua situação política é prejudicada pela falta de estrutura educacional em seus países.

Quando falamos aqui em educação entenda-se EDUCAÇÃO com letras maiúsculas. Não estamos aqui as voltas com a antiga discussão de taxas de analfabetismo e letramento – é importante que todos saibam ler as letras, mas é fundamental que todos saibam ler o mundo, como já pontuava Paulo Freire.

Temos ainda espalhados pela América Latina sistemas educacionais imbricados de feridas, marcados pelos traços do autoritarismo, das ditaduras, dos regimes militares castradores da liberdade e da criatividade. Foram reformados, emendados, mas em pouquíssimos casos realmente reestruturados.

O que impressiona é como nossa juventude, tão ávida por voz e pela tomada do espaço público, não percebe como é manipulada pela educação que lhe é oferecida – ou pela falta dela. Talvez a própria falta de consciência quanto à necessidade de se lutar bravamente por uma educação justa e democrática, seja reflexo da falta de noção de pátria como espaço intelectual e não apenas geográfico.

O ideal pelo qual a juventude latino-americana deve contestar é ligado a língua e a cultura desta pátria geográfica pela qual já levanta em luta. E enquanto políticas educacionais forem excludentes e elitizadas, como ainda o são na maior parte do território latino-americano, o ideal de pátria estará seriamente comprometido, a despeito de já estarem resolvidas (quiçá) todas as discordâncias quanto ao pertencimento geográfico de cada comunidade.

Referências
Rodriguez, Simon. Luces y virtudes sociales. 1938.
Ou: Rodríguez, S. (1840). Tratado sobre las Luces y Virtudes sociales, en Obras Completas, Tomo II. Caracas: Ediciones de la Presidencia de la República (2001).

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Uma resposta para A América renegada

  1. Carolina disse:

    O noticiário em geral quase nada mostra sobre o ser humanidade. Não ouvimos nem vemos objetivos humanos de atitudes dos seres. Tudo tem como foco a criminalidade e sua paeceria forte; a corrupção. Tem uma regente super forte… Fortíssima, partindo do cume da Pirâmide para a base… Pobre base!
    Seu nome : Impunidade…
    Vindo do Huminismo, os Direitos Humanos, fez nascer, na consciência de alguns, a igualdade entre a capacitação homem-mulher e vice-versa. Então, agora, neste preciso momento da evolução cultural da Humanidade, não podemos admitir raciocínio únicos e equivocos tragam pensamentos dispares sobre como o homem evoluido ve a mulher e como esta o vê…
    Ora, se fprmos ver o mundo sob a ótica do erro, vamos todos errados porém e se for o contrário… se formos ver o mundo pela ótica do acerto! Seremos todos certos?… Ou errados?…
    Nunca ajude uma mulher. Segundo o conceito da maioria delas um homem só se aproxima de uma mulher para levá-la á cama. vamos pensar um pouco!
    Comentem, ideias, opinões.
    Atenciosamente.

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