Como e por onde se expande a rede social

rizoma“Uma noite diferente”, “vamos fazer vigília no senado”, “um movimento horizontal”, “padrão FIFA”, “espirito da época”, “nova dinâmica institucional”, “respostas conservadoras para um movimento horizontal”, “eu quero falar com o líder”, “o movimento não tem líder”, “porque não criar escolas, hospitais ou transportes públicos e banda larga de qualidade onde o cidadão possa circular em vez de estádios superfaturados?” ,“Porque não mostrar ao Pais que podemos e não só fazer para estrangeiro ver?” “Brasil…em progresso”, “O mais caro é o medo.” São algumas das vozes que escutamos na rua… na mídia, na internet…
O quebra-quebra, o vandalismo, a violência que de certa maneira faz parte do movimento, causa indignação quando se constitui num obstáculo para a expansão que se quer cidadã.

O movimento é uma sensação, é vínculo social, uma atualização da posição, da queixa e do desgosto de uma geração que hoje está na rua e na rede, e viveu no berço, o espírito que permeou o contexto da ECO’92 e do Fórum Social Mundial. O que os caracteriza é a atitude jovem e vital que circula reivindicando transporte público gratuito e de qualidade social, apartidários, mas não apolíticos.

O Passe Livre São Paulo, como um rizoma, uma raiz que se expande pelo pais, sem centro, sem hierarquia, com múltiplas ramificações, desterritorializa lugares estancos de setores de poder. Esta ruptura traça uma linha de fuga, não se deixa engavetar, nem etiquetar em certo sindicato, partido ou posição social, o que nos lembra e nos aproxima da pedagogia da virtualidade que se sustenta no movimento e na educação popular, na desterritorialização rizomática do conhecimento e no circulo de cultura digital.

O “Movimento social autônomo, horizontal, independente e apartidário que luta por um transporte público gratuito e de qualidade, sem catracas e sem tarifa”,  até o 20 de junho de 2013, foi aprovado por 255.435 pessoas que curtiram essa página na internet e outras 173.632 estão falando disso na rede. Além de milhares de pessoas que se manifestaram, com atitude democrática e participativa, nas ruas e em frente a prédios públicos como o Congresso Nacional.

Os fatos nos apontam que em outras cidades do mundo esse movimento popular está acontecendo. Nos recorda também ”La Noche de los Lápices’, sequestro e assassinato de jovens argentinos menores de 18 anos pela ditadura militar. Foi o resultado de um movimento de estudantes secundários na cidade de La Plata que em 1976 exigia desconto no boleto de ônibus. O desconto que foi conseguido e logo foi suspenso, serviu para identificar quem eram os lideres que estavam latentes.

O espirito da ação na época atual já não tem um repertorio pronto para responder, não se deixa engavetar, não tem centro, não tem líder, é horizontal. O caráter coletivo da escuta e do fazer, o ouvir o coração e as vozes das pessoas para além do horizonte burocrático tornou-se vital para a cidadania…

A educação e a pedagogia também pedem passagem para outra sociabilidade, para outro plano e outras modalidades de pensar, viver e nos educar.

Margarita Victoria

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17 respostas para Como e por onde se expande a rede social

  1. Sebastião Monteiro disse:

    muito interessante, a importância das redes sociais também para reivindicar, mobilizar e se manifestar, além de outras situações
    abraço a todos

  2. adriano salmar nogueira e taveira disse:

    Na quinta feira passada, 20/06, planejei ir pra rua, fazer parte e caminhar junto com a expressão deste Movimento. Qual era a ideia?. Entender essa expressão coletiva!. Combinei com minha filha um ponto de encontro, uma rua no centro em que passariam as pessoas caminhantes. Combinamos a sogra dela e eu e também um grupo de aposentados (amigos dela) que fizeram um pequeno cartaz sobre aposentadoria. A quinta feira tarde nublou, a umidade esfriou um cinzento final de tarde e (no final dos acontecimentos) não pude ir; fiquei junto de meu filho que tinha outras agendas. Nosso interesse pelos acontecimentos não esfriou, ficamos “assuntando” com pessoas que participaram. Ficamos atentos aos noticiarios na TV.
    Em que estamos interessados?. Nos interessa saber. Saber mais. Nos interessa aquele tipo de saber que provem não da compreensão do que o coletivo significa “em si mesmo”. Nos interessa saber quem somos e porque estamos (tanta gente, e tão diversificados!!!) ali, marchando. Minha filha Ana foi e marchou durante umas 4 horas e, no dia seguinte, ajudou-me a compreender. Compreender que estamos nos movendo em busca de saber mais. SABER QUEM SOMOS. Esse tipo de saber cuja ausencia nos coloca desarmados ou desqualificados frente a tantas situações de insucesso na vida cotidiana. Na minha profissão (educador, cientista na educação) esse SABER MAIS ajuda muito, ele qualifica a presença e as intervenções em processos de perceber, processos de tomar consciencia. Me parece que a marcha e as caminhadas são fenomenos educativos: Povo na rua se educa a si mesmo. Na minha profissão (repito) esse fenomeno educativo associa-se a outros acontecimentos e assim fortalece (tonifica) a saude das instituições. REDE de REDES em sociedade é a reflexão da educadora Margarita Victoria, é como eu vou entendendo esse saber mais que está se movendo e caminha, buscando, ruando. Como uma sociedade se organiza e se expressa?. O que ela precisa “saber mais”?. A minha sociedade: é, estou falando de “ser brasileiro”; e também estou falando de ser educador, tomando melhor ciencia de fazer parte (em sociedade). Não me basta jogar a culpa no “mau político”: me parece que esse slogan é um clichê que simplifica; um “mau político” seria aquele bode expiatório em que jogamos as culpas e as explicações sobre o que está acontecendo. Esse “mau político”existe, é certo. Mas a lição desta caminhada é maior. Fiquei intrigado quanto às repercussões: poderemos repercutir essa qualidade de SABER MAIS sobre SER MELHOR BRASILEIRO?. COMO REPERCUTIR?. ONDE?. Nas minhas ações pessoais e profissionais.

    • Marvi disse:

      Adriano, como educadores estamos juntos mais uma vez nas redes de redes pela cidadania, na ação profissional e pessoal, e como você nos faz pensar, vão além do bom ou do mau ‘político’, do ‘manifestante’, do rico ou do pobre …você como educador mobiliza amigos, família, alunos e colegas. Nos-otros nos mobilizamos e isso é vital, segundo as palavras de o Papa Francisco, devemos buscar “O árduo caminho para uma pátria de irmãos.” Abraço,

  3. Rafaél disse:

    magnífico texto, gracias por compartirlo. Cómo ven la situación en Brasil?
    ¿Cuál es la percepción? Un abrazo Rafael

  4. Daiana disse:

    Queridos, seguimos de cerca lo que esta aconteciendo en Brasil, como ven la situación, han salido a las calles?, besos, desde mx

    • Marvi disse:

      Amiga mexicana, Hola amigo colombiano, como dice el profesor Adriano, estamos ‘ruando”(talvez sea callejeando) en la búsqueda de nosotros mismos, de reconocernos, y esta es una brecha en el actual contexto socio-político de un gran valor histórico, es en definitiva una posibildiad para seguir…esa es nuestra situación.. andariegos de la utopia (andarilhos da Utopia, como Paulo Freire) una situación a la que hemos llegado por nuestra própia história…Con mucha esperanza, o sea, en espera activa, en cuanto esperamos por tiempos mejores, vamos haciendo. Un abrazo fraterno.

  5. Querida ,Vitória ,
    Seu texto é bom, eu ainda estou procurando entender o movimento, a agressividade ás vezes vinda de uns poucos infiltrados e alienados.Falta educação, senso coletivo, cuidado com o patrimônio público, falta noção de pertencimento, de identidade, falta mudar a cultura da policia que ainda traz o ranço da ditatura militar.
    A busca pela paz e pela liberdade de manifestar nossa indignação é autêntica mas o caminho ainda está meio confuso. Eu também saí de casa, cantei, disse palavras de ordem, mas principalmente observei. Fico muito confusa com a rapidez das redes sociais, fico apreensiva e me ponho a pensar: Como as escolas estão preparando os jovens nesta nova ordem social? Quem são os professores (possíveis formadores de opinião) que educam?
    “Só se ensina quem de repente aprende” será que esses mediadores estão bem informados e incentivados a aprenderem? Será que a educação, além de baixos salários, e pouca formação de seus professores, não está colhendo seus frutos, plantados ainda lá longe? Os professores conhecem as politicas educacionais e estão aptos a conviverem com a juventude atual? são muitas as questões que me inquietam. Sou de um tempo que as palavras dos mestres acalentavam, serviam como ferramenta de trabalho, tocavam o coração e faziam os professores permanecerem felizes e firmes no propósito de construir a cidadania e buscar o bem comum
    A EDUCAÇÃO PEDE SIM, passagem para uma nova forma de viver, educar, e sociabilizar.
    A EDUCAÇÃO DEVE SER MUDADA PARA A NOVA ORDEM SOCIAL (sem esquecermos de conservarmos as palavras de nossos mestres que se adequam em qualquer ordem, em qualquer tempo.

    • marvi2012 disse:

      Mara querida, o Brasil e os brasileiros estão se achando nas suas potencialidades e fragilidades e é aí que se encontram as fortalezas para as mudanças. E não é só o Brasil, é Argentina; em Rosário, por exemplo, na semana passada estava em debate o boleto de ônibus e o restaurante universitário de qualidade; veja os ‘panelazos’; veja nos outros países…a mundialização tem as suas coisas boas. Não se trata só de mau ou bom governante, o pais é feito por todos nós, o problema é quando o governante ou a policia fala/age como se não fosse parte do povo e quando o povo acha que é bom ter privilégios e não direitos… O movimento não surpreende a quem sentiu e acompanha o movimento cotidiano da sociedade. É bom acreditar na cidadania, nas pessoas, no povo e conservarmos as palavras verdadeiras pois essas tem poder de transformação na educação…Um grande abraço movimentado e circular…Victoria

  6. Alessandra disse:

    “Vem, vem, vem pra rua vem”
    Quem nos últimos dias não ouviu, leu e cantou essa marcha?
    Vindo do coro da multidão, convidando as pessoas a se posicionarem e a ocuparem espaços que foram tomados, pelo medo e pela violência, principalmente nas grandes cidades.
    Antes desses e de outros gritos, quem ocupava esses espaços nas ruas? Temos espaços públicos de lazer? Escolas e hospitais de qualidades? Mas claro, temos apenas futebol, samba e carnaval.
    O Movimento Passe Livre, nos convida a ocupar esses espaços e surge ganhando forças por meio das redes sociais, no qual lutam por direitos humanos e pela dignidade.
    Acreditamos que esses diálogos têm que existir de forma respeitosa e sem violência. As pessoas, por meio das redes estão se organizando em pró de um país melhor.
    Sendo assim…
    “Vem, vem, vem pra rua vem”

  7. Sebastião Monteiro disse:

    É isso aí Alessandra, as redes sociais tiveram o papel decisivo para a participação das pessoas nos últimos acontecimentos em São Paulo e em todo Brasil, o papel das tecnologias em todos os setores da vida é fundamentalmente importante, está aí, é só se apropriar e utilizar da maneira correta
    abraços

  8. Maria Joseneide Apolinario disse:

    Participar de um colóquio sobre o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (Uninove 19, 20 e 21/08/2013) me inquieta muito. Primeiro porque não é tão novo assim e continua tão significativo. Quanta coisa Falta pôr em prática do Manifesto… Segundo porque havia nas ruas um outro manifesto que falava mais alto, que me chamava a participar. Dessa vez, não só como estudante, mas como mãe, educadora, cidadã. Esse manifesto que na feliz colocação da Margarita, acontece na horizontalidade, na velocidade das tecnologias que interligam redes sociais. E esse manifesto é um convite para sermos mais e melhores, construindo nossa história na observação, na leitura crítica, participação coletiva, no respeito ao outro e ao nosso patrimônio, que também é do outro. É um possibilidade do processo de construção de uma sociedade planetarizada, onde a cidadania de fato aconteça. E essa construção se dará, como citou o Adriano, em nossas ações pessoais e profissionais.
    Abraço fraterno,
    Maria Joseneide Apolinario

    • marvi2012 disse:

      Boa lembrança Maria Joseneide,
      O manifesto dos pioneiros também nos deixou suas contribuições mas acredito eu, que a ideia de Movimento e o pioneirismo dos jovens, ao assumirem uma posição política diante da situação social e educacional, é atual e diferente do Manifesto, o que não nos surpreende …sem dúvidas, um sopro de vitalidade. Abraços.

  9. Maristela de Macedo Dertoni disse:

    É bonito ver os jovens com essa “garra” toda nos manifestos no Brasil inteiro. Já era hora disso acontecer. O Brasil tem que mudar e os jovens estão aí super articulados e bem informados, e esse jeito novo de comunicação via internet é que possibilita essa multiplicação a jato das notícias e uma nova forma de incitação, que contagia, informa … Como tudo na vida, se soubermos bem usar para o bem, que mal tem ?

    • marvi2012 disse:

      Maris, Marcelo Hotimsky, do movimento Passe Livre, acredita que gerou-se uma cultura de contestação… e segundo uma pesquisa de opinião, o 78% dos manifestantes disseram que se organizaram e convocaram amigos pelas redes sociais (Pesquisa IBOPE). Acredito que é um direito das pessoas o ter acesso á banda larga e á rede de qualidade e preço razoável. É esperançoso ver que os jovens rompem fronteiras com dignidade, eles nos trazem um esperança! Abraço a tod@s.

  10. Cida disse:

    Ótimas colocações professora. Me lembro no início dos anos de 1990, que meus professores e parentes diziam que esta geração era muito parada, muito conformada com tudo o que acontece no país. Particularmente, durante um período acreditei nesta premissa, contudo, como sou militante apartidária, a força das redes sociais provou mais uma vez o erro do pré-julgamento. Pois muitos dos atuais militantes são filhos e filhas, deste jovens adolescentes dos anos 1990, e aprenderam com seus pais e professores, a importância do ‘grito’ na vida pública. Motivo de debate e eterna discussão, inclusive, colocar as discussões nas salas de aula dos mais jovens.

    abçs

  11. ELIANE MEL disse:

    LINDA A MANIFESTAÇÃO!!!! OS JOVENS LUTANDO POR UM BRASIL MELHOR, E INDIGNADOS COM TANTA CORRUPÇÃO, MAS TEM MUITOS SE JUNTANDO SEM SABER O PQ ESTÃO NAS RUAS, E PRA QUE ESTÃO LUTANDO. NA REALIDADE PREJUDICANDO A POPULAÇÃO. CUIDADO COM O GIGANTE, DE REPENTE O GIGANTE NÃO É BENÉFICO PRA NÓS!!!! QUEREMOS SIM UM PAÍS MELHOR ESTAMOS CANSADOS DE TANTA INJUSTIÇA…. OS PROFESSORES DEVE SIM LEVAR ESSA DISCUSSÃO PRA SALA DE AULA

    • Maristela disse:

      Eu estou um pouco preocupada pois algumas pessoas afirmam que no pais deles o Brasil esse problema e de uns poucos que ate banda larga boa e barata nos temos ….

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