Malinche, a índia bilíngue

Gilberto A. Dias

“Malinche (nascida em 1496 – morta em 1529, apesar de algumas fontes citarem o ano de 1551), também conhecida como Malintzin e Doña Marina, foi uma indígena (certamente da etnia Nahua) da costa do Golfo do México, que acompanhou Hérman Cortés e teve um papel decisivo no auxílio da conquista do México, uma vez que falava ao menos três línguas”. Disponiível em: http/pt.wikipedia.org/wiki/Malinche-16/05/2013 – 19:29.

Na realidade pouco se sabe sobre Malinche, que é citada apenas duas vezes nas cartas que Hermán Cortés escreveu para o rei espanhol Carlos I.

Tudo indica que Malinche virou Malinche após o encontro com os espanhóis. Como narra essa história no princípio a índia foi chamada pelo conquistador pelo nome de Maria, porém sem conseguir pronunciar o “r”, aos poucos foi sendo transformada em Malintzin. E que por fim, os espanhóis passaram a chama-la de Mainche.

De acordo com Thaís Bueno (2013), “Hijo de la Malinche”, “malinchista”, “à la chingada” são todas expressões pejorativas (que aqui no Brasil têm correspondentes como “filho da puta” e “para a puta que o pariu”) que remetem à figura da índia e são bastante usadas no México.

Envolveu-se, com Hermán Cortés, o homem que futuramente destruiria o Império Asteca e daria início ao extermínio dessa população. Malinche teve um filho mestiço martín que é considerado o primeiro mexicano da história. E foi justamente ela que ajudou os espanhóis a se comunicar com os nativos.

Depois de sua independência, o México construiu a identidade do asteca como ancestral de sua nacionalidade, como um povo feliz, que é uma visão romântica. Entretanto nessa visão Malinche vira a traidora. Porém, sua imagem só começa a ser reabilitada nos anos 80, quando a importância da comunicação, da mulher e dos aliados indígenas cresce nas análises históricas.

Otávio Paz (1998) faz um esclarecedor comentários sobre a história do México, nessa análise ele se posiciona concernente à visão do europeu em relação ao México, pois para a Europa o México é um país que não ocupa lugar na história universal. De forma que, ele descreve um país envolvido por questões religiosas. E na visão de Otávio, o mexicano também não ser ele mesmo muito menos ser índio ou espanhol.

Enquanto Angel Rama (1926 – 1983) através de seu livro “A cidade das letras” faz uma crítica literária sobre a história latino-americana depois da remodelação de Tenochtitlan, ou seja, após a destruição realizada sob o comando de Hernán Cortés em 1521, no período colonial procurando desvendar seus significados simbólicos em meio às especificidades literárias, estéticas e culturais.

Ou seja, Rama realiza uma sólida análise da função que desempenhou a classe letrada no planejamento, evolução e desenvolvimento dos centros urbanos como núcleos de poder na América latina. Conforme ressalta Lira (2009),

Rama mostra em seu livro asa diversas relações que se estabelecem entre a cidade das letras e a cidade real em cada período histórico por ele delimitado. Nesse percurso, os diferentes significados que a cidade real assumiu vão sendo revelados.

E por fim chegando a conclusão de que duas ocorrências contribuíram para o fortalecimento da cidade letrada: as exigência de uma vasta administração colonial; as exigências da evangelização. De forma que este grupo vai permanecer até as vésperas da independência, dois séculos depois.

RERERÊNCIAS

http://subvertidas.blogspot.com.br/2013/02/traddutora-traditora-la-malinche-e.html-16/05/2013 – 20:00.

LIRA, Leonice da Silva. O império dos signos: formação especial das cidades latino-americanas, segundo Angel Rama. Disponível em : http://egal2009.easyplanner.info/era05/5304_Lira_Lenice_da_Silva. Pdf-16/05/2013 – 20:11.

PAZ, Otavio. El labirinto de la soledad, Postdata y Vuelva a El labirinto de la soledad. Segunda reimpresión em Espanã, 1998.

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