A cultura do cuidar, do educar e do recrear na contemporaneidade

freire3

Matilde Bertasso Gotardo

Neste comentário gostaria de rememorar que antigamente a criança era vista como um ‘adulto em miniatura’ e praticamente não se misturava com os adultos, chegava a ficar numa espécie de anonimato, mas com o passar do tempo, o desenvolvimento das ciências humanas, da psicologia e da psicanálise,  trouxeram a proposta do atender a criança na tenra idade, antes do seu ingresso formal na escola.

Surgiu então a preocupação com o cuidar das crianças. A família ficou então como a principal responsável pela  formação da criança, surgindo daí a necessidade de um lugar para deixá-las  enquanto os pais saiam para  trabalhar, mais tarde esse local passa a se chamar pré-escola.

 Na Constituição Federal do Brasil (1988), incluído no Inciso IV do artigo 208 explícita: “O   dever   do   Estado   com   a   educação   será   efetivado   (…)   mediante     atendimento em creches e pré-escolas às crianças de 0 a 6 anos.”

Este direito é reafirmado no ECA (5) em seu artigo 53.

Com a LDB (9394/96) a criança passa a ter direito a uma educação de base e não mais a uma prévia escolarização. Surgindo então o termo “Educação Infantil”.

Surge o termo ‘cuidar’ na Educação Infantil, que significa: imaginar, meditar, julgar, supor e tratar. Mais tarde surge o termo ‘educar’ no Referencial Curricular Nacional na Educação Infantil.

A tarefa do cuidar e educar atravessou os tempos inovando, ajustando as características da demanda de cada época de nossa história, o atendimento às crianças pequenas, a partir do século XX, foi organizado entre creches e pré-escolas, sendo as creches pensadas somente no cuidar como assistencialismo voltado para saúde alimentação e higiene e destinada a crianças mais pobres. O educar ficou como experiência e promoção, reservado aos filhos dos grupos sociais privilegiados.

Portanto, todas as atividades ligadas à proteção, o apoio necessário ao cotidiano da criança como: alimentar, lavar, trocar, curar, proteger, consolar, enfim, cuidar, têm caráter instrucional e está inserido na cultura do recrear na contemporaneidade.

Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n. 9.394/96. Brasília, DF, 1996. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm
ESTATUTO da Criança e do Adolescente. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm

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2 respostas para A cultura do cuidar, do educar e do recrear na contemporaneidade

  1. Jenyree disse:

    Interesante tu aporte Matilde! Este tema me hizo recordar un video que se los recomiendo si no lo han visto les dejo el enlace: http://www.youtube.com/watch?v=-1Y9OqSJKCc. Allí nos presentan esa nueva visión de la educación infantil y además nos permite reflexionar sobre muchos elementos que mencionas en tu artículo. En Venezuela además de la constitución tenemos una ley específica de protección del niño, niña y adolescente, ya que había que enfrentar los excesos del adulto. Creo que queda seguir trabajando desde los hogares y transcender en la escuela ya que son dos espacios de aprendizaje donde nuestros niños viven en la contemporaneidad y del cual debemos aprender teniendo un proceso de resiliencia de acuerdo a nuestra experiencia como adulto.
    Seguimos reflexionando!!

  2. Rosilaine Moraes Alves disse:

    Considero que um olhar diferenciado para os espaços denominados anteriormente como creche é necessário, pois eram espaços destinados à gestão pela Assistência Social. (Assistencialista).
    Com a transformação para a Educação, os espaços foram denominados de CEI (Centro de Educação Infantil), assim, um novo paradigma se fez presente nas instituições de Educação Infantil.

    A concepção de criança, o olhar quanto ao seu desenvolvimento e os espaços foram repensados, ocorreram transformações e inúmeras mudanças devido às inquietações pelos/dos profissionais da Educação.
    No decorrer da implantação, muitas discussões foram levantadas, debatidas, polemizadas, já que os profissionais que atuavam nas creches se sentiram inseguros diante das mudanças.
    Nos CEIs as mudanças foram significativas, pois a legislação permitiu um olhar diferenciado para a proposta educacional estudada para a nova realidade.

    Dentro da politica educacional para o CEIs um ponto positivo foi a abordagem quanto ao “CUIDAR E EDUCAR”, daí a necessidade de um novo paradigma para estes espaços e concepção de criança ser prioridade.
    Assim, o cuidar e o educar estão intrinsecamente conectados a prática docente, e não dissociado do fazer pedagógico. Mais sim, em interação permanente, educador e educando em construção, já que o mote é a curiosidade despertada e vivida pelas crianças nestes espaços, ricos em experimentações com as diversas linguagens abordadas pelo referencial curricular da Educação Infantil que permite um olhar da criança como produtora de cultura e capaz de desenvolver-se em interações com os seus pares e com objetos capazes de criarem o desejo, a busca de conhecer, de aprender significativamente.

    Posso afirmar que os CEIs estão dando um enfoque quanto ao desenvolvimento de projetos riquíssimos que traduzem a nossa preocupação com o cuidar e o educar envolvidos e inseparáveis na ação educativa.
    As aprendizagens construídas ao longo do processo educativo permite que as crianças construam a autonomia, se socializem, descubram e possam se desenvolver em todos os aspectos necessários e pertinentes a um desenvolvimento sadio e prazeroso.
    Os espaços/ambientes nos CEIs tem se tornado, ambientes provocadores, no sentido de instigar a curiosidade nas crianças, a interagirem e criarem uma aprendizagem significativa.

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