A interação e os pensadores da aprendizagem

freire3Alba Rita Barreto Pereira; Albertina Silva da Costa; Maria de Lurdes Paes Mendes; Solange Maria Ferreira Eleutério; Sônia Azevedo; Telma Cristina Tonini de Abreu Lima.

Consideramos que a alfabetização conceitual, política e tecnológica deve ser coerente com a prática de educar a paciência, o ouvir, o falar para assumir a condição de educador aprendiz e para poder saber orientar o aprendizado de outros. Conforme Paulo Freire no ato de ler o mundo e a palavra construímos a visão crítica da realidade.

Para uma melhor atuação docente, necessitamos estar ciente dos princípios teórico-práticos e das legislações que norteiam o nosso trabalho e ser atento para a realidade do educando. Concordamos com Paulo Freire quando afirma que o pensar certo supera o pensar ingênuo; aquele que tem que ser produzido pela própria criança em comunhão com o professor. O professor, através da reflexão sobre a prática,  busca que a curiosidade ingênua torne-se crítica.  Assim, o educador concilia o aprendizado com os saberes trazidos pelo educando, respeitando sua cultura, potencialidades e dificuldades, valorizando definitivamente suas aprendizagens.

Como educadores de crianças devemos valorizar a cultura e saberes que estas possuem e apresentam em sala de aula. Com base nesta vivência, o educador trabalha a partir de elementos da realidade do educando.

No livro Pedagogia da Autonomia (1996), Paulo Freire enfatiza que ensinar não é  transferência de conhecimento, que ensinar não é transferir conteúdo, mas criar as possibilidades para sua produção. Afirma que não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.

O desenvolvimento da criança segue-se à aprendizagem, segundo a teoria de Vygotsky, o desenvolvimento potencial é realizado com a ajuda da mediação social e instrumental. A Zona de Desenvolvimento Proximal é a distancia entre o nível de desenvolvimento real e o desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração de outras crianças.

Conforme Vygotsky (Pensamentos e linguagens), a comunicação implica significados e o valor fundamental da palavra como forma mais pura de interação social. O significado da palavra é chave para a compreensão da relação entre o pensamento e a linguagem e, como conseqüência, da constituição da consciência e da subjetividade. Isso porque o “significado de cada palavra é uma generalização, é um conceito, que por sua vez são atos do pensamento”. Para este autor, a aprendizagem possibilita o desenvolvimento do ser humano como sujeito cultural.

Valorizar a linguagem, o pensamento e a interação com os outros indivíduos gera a aculturação que fomenta o conceito de desenvolvimento proximal, ou seja, a possibilidade de uma passagem da capacidade potencial para uma capacidade real de aprendizagem.

A criança aos 6 anos, conforme Piaget, entra na idade perguntadora. Os porquês das crianças são de diferentes tipos, dependendo o significado.  O primeiro momento (2 a 7 anos), das representações pré-operacionais, trata do período inicial na infância, no qual a criança realiza suas primeiras tentativas relativamente desorganizadas e hesitantes de enfrentar um mundo novo e estranho de símbolos. Nos estudos sobre o desenvolvimento da criança, Piaget (1994) considera que o jogo, nos períodos sensório-motor e pré-operatório, contribui com a construção do conhecimento, principalmente, nos períodos sensório-motor e pré-conceitual (operatório). Através dos objetos, as crianças são capazes de estruturarem seu espaço, seu tempo, desenvolverem noções de causalidade, chegando à representação e à lógica. O jogo se  focaliza no momento em que a criança, ao relacionar-se no mundo dos adultos, pela falta de compreensão da realidade, acaba achando as coisas estranhas, como por exemplo, algumas regras, atividades e conceitos que lhe são determinados, como a hora de dormir, comer, tomar banho, não mexer em certos objetos, dentre outros. Com isso a criança tenta aproximar o mundo real a sua própria realidade, procurando satisfazer suas necessidades afetivas e intelectuais.

Outro autor,  Wallon, identifica como importantes, na formação da identidade infantil, o  desenvolvimento do “Eu” corporal e o do desenvolvimento do “Eu” psíquico. Para Wallon a infância é considerada uma obra em construção. A primeira condição para a construção da pessoa do eu psíquico é evidentemente a construção do eu orgânico. O meio escolar é uma condição para a integração das atividades infantis num sistema que possui uma unidade, permitindo relações sempre novas entre a criança e o meio. Na teoria de Wallon explica-se o desenvolvimento humano dentro de uma perspectiva global e, numa abordagem psicogenética, considera-se a noção de campos funcionais referidos à afetividade, ao ato motor e à inteligência. Para Wallon a cognição está alicerçada em quatro categorias de atividades cognitivas específicas, às quais dá-se o nome de ‘campos funcionais’. Os campos funcionais seriam o movimento, a afetividade, a inteligência e a pessoa.

A importância da interação no brincar é tema de debate por parte de pensadores clássicos e professores mais próximos…  deixamos esta postagem como um convite para o diálogo e a interação.

Referências
DELGADO, E.I. Pilares do interacionismo. Piaget, Vygotsky, Wallon e Ferreiro. São Paulo: Erica, 2003.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática docente. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1996.
_________ . Professora sim, tia não –  cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Editora Olho d’Água, 1997.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 1993.

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