Para além de uma educação bancária na infância

freire3Elen Dos S. Martins; Lia Amaral Takacs; Maciel Silva Nascimento; Manassés Felicio Victor.

 “Não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.” (FREIRE)

Falar de educação bancária sem citar Paulo Freire e suas concepções sobre esse assunto é ignorar seu legado que muito contribuiu e ainda contribui para uma reflexão sobre a ação docente. Sua noção de educação bancária está na obra Pedagogia do Oprimido, ao discorrer sobre a ideia de que o educador é quem sabe e os educandos os que não sabem; o educador é o que pensa e os educandos os pensados; o educador é o que diz a palavra e os educandos, os que escutam docilmente; o educador é o que opta e prescreve sua opção e os educandos os que seguem a prescrição; o educador escolhe o conteúdo programático e os educandos jamais são ouvidos nessa escolha e se acomodam a ela; o educador identifica a autoridade funcional do saber, que se antagoniza com a liberdade dos educandos, pois os educandos devem se adaptar às determinações do educador; e, finalmente, o educador é o sujeito do processo, enquanto os educandos são meros objetos. (FREIRE, 1987, p. 36).

É inaceitável segundo os postulados freireanos, conceber e olhar para as crianças como se as mesmas fossem seres desprovidos de conhecimentos, como se as experiências e as vivências que elas trazem para o convívio escolar possam ser neutralizadas pela voz adultocêntrica dos professores.

Olhar para as crianças, seja no próprio seio familiar ou nas instituições educacionais em pleno século XXI, e não enxergar nelas as muitas possibilidades de contribuição aos fazeres pedagógicos e a formação do ser é se fechar em uma redoma de pensamentos e atitudes educacionais e concepções pedagógicas que não dialogam com as práticas ‘dodicentes’ (docente/discente) freireanas, que não só respeita esses saberes, mas os utilizam como base de ampliação do conhecimento em uma ação de reciprocidade.

Essa reciprocidade nos dá margem para o entendimento de uma prática pedagógica transformadora libertária, que não concebe as crianças como meros receptáculos de saberes prontos e acabados, e sim como seres históricos com experiências significativas construtivas para a ampliação do conhecimento.

A ação que qualifica a atuação do professor como o detentor de conhecimentos que são transferidos para as crianças, as que se mantêm inertes a esses conhecimentos, deixa de existir a partir do falar e do ouvir, do ensinar e do aprender. Em uma concepção freireana, a educação libertadora transpõe a simples transferência e vai além de uma educação bancária que cerceia a criança do direito de falar e ser ouvida,  de ser atendida, de se colocar na condição de ser pensante dotado de saberes que, se bem aproveitados, se tornam significativos no processo de aquisição e ampliação do conhecimento de si e dos outros.

É inconcebível aceitar que na atual conjuntura de adventos e aparatos tecnológicos, que processam todo e qualquer tipo de informação, que apenas os professores sejam os detentores de informações e conhecimentos e que os mesmos, se não forem transferidos através de uma ação vertical, não promovem os vários saberes na construção e formação do ser humano.

É preciso romper com esse modo de pensar e agir aproveitando e considerando, através de uma postura problematizadora, os múltiplos saberes e conhecimentos, sejam eles oriundos das várias organizações e segmentos sociais, banindo assim com a prática de uma educação tradicional em busca de uma educação humanizadora e empática. E neste sentido, para além de Freire, outros autores corroboram com tais pensamentos.

Segundo Galvão (2000), para Wallon as trocas relacionais da criança com os outros são fundamentais para o seu desenvolvimento. A afetividade, o diálogo, a liberdade de expressão são fundamentais para os avanços da criança no apreender a aprender. Embora a realidade das salas de aula, nas escolas públicas, muitas vezes não nos permita perceber simples gestos que se podem tornar problemas futuros e ou até mesmo presentes no contexto escolar, precisamos estar atentos e avaliar as nossas práticas docentes, autoavaliarmos para não sermos cúmplices, em alguns casos, das dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento das crianças.

Conforme Wallon (1978) a criança acessa o mundo simbólico por meio de manifestações afetivas estabelecidas entre elas e os adultos. Para ele, o indivíduo se desenvolve e cria uma maneira de expressão mais complexa. O docente passa ser uma referência para a criança, por isso deve-se redobrar o cuidado da relação com o professor. Na relação pedagógica “o que se aprende não é tanto o que se ensina, mas o tipo de vínculo educador/educando que se estabelece na relação.” (GARCIA.1998, p.41 )

A mediação e a internalização, segundo Vygotsky (1994) permitem a construção do conhecimento a partir de um intenso processo de interação entre as pessoas. E, indubitavelmente, é no espaço escolar que esse processo e a relação com o outro se intensifica. O outro tem uma importância fundamental enquanto formação do sujeito, na construção do que sou, pois, sozinho não haveria conflito e nem modificação. A interação com o outro desperta no sujeito o desejo de buscar novas significações e conhecimento.

Pela relação que o professor estabelece na sala de aula, ao ensinar, exerce significativa influência sobre o aluno que aprende, levando-o a questionar e até modificar atitudes, ideias, habilidades e comportamentos. Sua atuação ultrapassa, no entanto, a simples transmissão de conhecimentos, ele é parte da vida da criança. É “Preciso conhecer as diferentes dimensões que caracterizam a essência da prática, o que me pode tornar mais seguro no meu próprio desempenho”. (FREIRE, 1996, p.68).

A relação pedagógica de aprender não se limita ao espaço da sala de aula. Ela é muito mais ampla e complexa, estendendo-se além da escola, na medida em que as expectativas e necessidades sociais, bem como a cultura contemporânea, os valores éticos, morais e intelectuais, os costumes, as preferências, entre outros, têm repercussão direta no trabalho educativo.

( …) saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto às indagações, à curiosidade, às perguntas dos alunos, às suas inibições: um ser crítico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar, não de transferir conhecimento. (FREIRE, 1996, p 47).

Segundo Freire a escola não tem como responsabilidade primordial transferir conhecimentos prontos de uma geração a outra. O professor é parte da vida da criança, e na relação, ambos constroem conhecimento, aprendem. A criança no decorrer do processo pedagógico precisa perceber-se como ser atuante e não apenas um ser passivo, sendo a “sombra” do professor. As crianças de diferentes meios sociais chegam até a escola trazendo características e identidades culturais e pessoais, que influenciam diretamente na sua relação pedagógica com o conhecimento e, consequentemente, influencia na maneira pela qual responde às exigências próprias do processo ensino-aprendizagem.

Neste sentido, entendemos que o professor da educação infantil deixa de ser o transmissor de conhecimentos numa relação vertical, para assumir a interação e o diálogo com as crianças valorizando a sua realidade social e cultural

Considerar o legado pedagógico freireano é transcender, é não fazer depósitos de conhecimento nas crianças, é não promover a acomodação, é ser rebelde no modo de pensar construtivo, é não separar dicotomicamente educador e educando, é não promover a alienação, é acreditar no inacabamento do ser humano, inclusive do educador, é a promoção do não treinamento e adestramento das pessoas, é a não dominação do ser, enfim é o rompimento da ação adultocêntrica rumo a uma práxis que implica na ação reflexiva que dialoga com o potencial transformador de pessoas, em especial, das crianças numa relação horizontal de troca de saberes impulsionados pela amorosidade na transformação do mundo, é considerar a criança, em seu período de infância, como verdadeira potencializadora no processo de construção de saberes.

Referências
Curso de Pós-GraduaçãoLato Sensu em “Educação Infantil: Pedagogia Freiriana”, Uninove/SP, 2012/13.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 17 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
GALVÃO, Izabel . Henri Wallon: Uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. 7a ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000. (Educação e Conhecimento).
GARCIA, J.N. Manual das dificuldades de aprendizagem – Linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
WALLON, H. Do acto do pensamento da criança. Lisboa: Moraes Editores, 1978.
_______. Do ato ao pensamento: Ensaio de psicologia comparada. São Paulo:  Vozes, 2008.

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2 respostas para Para além de uma educação bancária na infância

  1. Rosilaine Moraes Alves, Severina Claudia Candido de Araujo, Janice de Jesus Sousa Feitosa disse:

    Esta postagem nos remete ao texto “Por uma pedagogia da Infância Oprimida: As crianças e a Infância na obra de Paulo Freire” Nós nos identificamos com o texto citado, pois entendemos a necessidade de um embasamento teórico e significativo nos estudos relacionados às obras de Paulo Freire.

    O estudo dos autores fez um levantamento, realizaram um rastreamento sobre quando, onde e como Paulo Freire em seus escritos abordava a infância, “nas entrelinhas”, sendo que sua preocupação era com o adulto das classes populares.
    Buscou-se através de questionamentos quanto a Pedagogia do oprimido, pensar em uma pedagogia da infância oprimida, para isto, analisou Paulo Freire com a obra de Giorgio Agamben (2005), aproximando o conceito de infância como inacabamento do ser humano ao de infância não como etapa cronológica, mas uma condição da existência humana. Desse modo é possível pensarmos numa Pedagogia da Infância Oprimida.

    Assim, partiram da seguinte pergunta: Em que obras Paulo freire se refere à infância e as crianças? Como se Refere? Que implicações são possíveis serem identificadas, a partir destas referências, tendo em vista a constituição de uma pedagogia da Infância Oprimida?

    Os pesquisadores encontram nos registros que Paulo Freire nos deixou e em seus pensamentos a capacidade de dialogarmos e entendermos a infância enquanto ser humano como ser histórico, inacabado, educação como ato político, não dicotomizar a objetividade da subjetividade, implicações quanto ao gênero para a educação, o reconhecimento do corpo e do afeto (re encontrar o corpo), e sua critica a ética do mercado e a defesa de uma ética universal do ser humano. Os autores buscaram categorizar apenas livros de Paulo Freire, sem utilizarem vídeos, artigos, periódicos… Livros estes que Paulo aparece sozinho, como autor.
    Com o objetivo de rastrear as vezes que aparece a palavra criança ou infância e outras expressões que remete a estes universos. Assim, foi realizado uma divisão em dois períodos: l) O exílio(formação, re-elaboração de seu pensamento) 2) A Prefeitura de São Paulo(olhar sob a ótica do gestor, pensador e educador popular). Além desta divisão ocorreu uma subdivisão em 5 períodos, onde o primeiro período(antes do exílio, em outubro de 1964 – enfatiza a obra: Educação e atualidade brasileira([1959] 2001).
    Nossa reflexão recairá sobre o primeiro período elaborado pelos pesquisadores do texto lido.

    A tese apresentada por Paulo Freire no concurso para cadeira de História e Filosofia 1959 foi organizada e publicada por José Eustáquio Romão, obra está que necessitou de uma contextualização pela distancia do tempo, preocupação excessiva por Freire para publicação extemporânea, devido as críticas recebidas ao retornar do exílio.

    Da analise realizada pelos pesquisadores listamos algumas expressões que nos remetem a criança e a infância:
    – Educação de crianças e adultos,
    -Ingerência nos destinos da escola de seus filhos,
    -Juventude transviada,
    -Família,
    -Experiências democráticas, negadas aos nossos meninos,
    – Família e à escola (“inexperiência democrática”),
    -Rever o trabalho educativo da escola,
    -Educação formal e informal,
    -Escravização de crianças e mestres pelas escolas,
    -Escolas brasileiras centros de alfabetização de nossos meninos,
    -Democracia começa na infância,

    Na obra estudada, conseguimos perceber a importância de uma reflexão acerca da criança e infância, onde após examinada, os pesquisadores nos apontam o quanto se faz necessário uma educação que aborde os princípios de uma educação democrática, onde as crianças tenham voz e vez, que não sejam escravizadas por uma sociedade discriminatória e que as fazem silenciar.

    A educação sonhada e idealizada por Paulo Freire e o conceito de infância de Giorgio Agamben nos permite uma reflexão de criança e infância inacabada, assim como nos adultos, estamos sempre em desenvolvimento, crescimento, quanto aos aprendizados significativos, sem contar a curiosidade das crianças na fase da infância ser inesgotável devido as interações.

    Educar é aprender com a vida e para a vida. Paulo Freire nos ensina a respeitar, cultivar a cultura da infância (ser humano) com atividades que possibilitem a exploração das potencialidades, habilidades, criatividades que ultrapasse os padrões de hegemonia e alcance o (des) engessamento mudando o “deve ser” na busca do “poder ser”. Escola democrática inicia na educação infantil.

    Será que a infância está sendo tratada na perspectiva freiriana?
    Como a Educação infantil tem ouvido as crianças?
    Quais questionamentos as crianças fazem acerca das suas experiências de vida familiar e escolar?
    A criança tem interlocutores na Educação Infantil? Ou o silêncio é imperado?
    Existe dialogo?
    “Dialogo que implica, como afirma Freire (1996), em amorosidade e humildade e nos reconhecermos inacabados, abertos ao mundo, portanto eternos aprendizes. Que implica, sobretudo, em respeito ao outro e a si próprio. Neste contexto, as falas das crianças quase sempre se perdem, ou são abafadas, esquecidas, ironizadas…”
    A visão de criança desde a antigüidade foi de “vir a ser”; mais longa é a história do “não lugar” ocupado pelas crianças. Deste modo, cabe ao adulto prepará-las para os desafios da vida adulta.
    Porém com Freire está visão não é compatível com o desenvolvimento de uma criança vir a ser, tanto o adulto como a criança é capaz de criar, pensar, transformar e construir cultura. Assim, ensinar exige respeito aos saberes dos educandos que vai a partir de suas experiências e nas interações com outras crianças e adultos, criando e recriando uma serie de ideias e teorias sobre o mundo físico e social.
    Portanto, a concepção de criança que Paulo Freire nos permite “ler nas entrelinhas” desta pesquisa através de sua obra, que a criança não é tabula rasa nem natureza pura e sim um ser humano, que possui um corpo, uma história, diferentes saberes, diferentes modos de compreender o mundo, que cria, sonha, chora, fala, pensa, aprende, sofre, se alegra, se encanta…
    Desta forma os educadores devem ter um olhar a partir dela e não para ou sobre ela, onde seja escutada, onde possa falar, onde possa ser reconhecida como sujeito da e na história, portanto produto e produtora de cultura.
    Será que a Educação infantil está permitindo que nos espaços educativos aja “[…] um olhar menos ensinante, mas receptivo a novidade que cada criança traz consigo […]” (LEAL, 2004, p.22), o que significa a abertura ao novo, ao desconhecido, a duvida, a incerteza?
    Para LARROSA (2003) vê a infância como “um outro” para ele “um outro” é:“[…] aquilo que, sempre além de qualquer captura, inquieta a segurança de nossos saberes, questiona o poder de nossas praticas e abre um vazio em que se abisma o edifício bem construído de nossas instituições de acolhimento […]” (LARROSA, 2003, p. 184). Desta forma, para aprendermos com as crianças acreditamos que se faz necessário (re) significar a ideia de infância, procurando entende-la para além de uma etapa cronológica da vida, vê-la como condição de existência humana, aproximando-a do conceito de inacabamento; o que significa repensar a própria imagem de criança e de adulto.

    O texto sinaliza a necessidade do ser humano se expressar através da fala e que a infância era concebida com enfant – o que não significa sua falta, mas o falar não era aceito, pois era “imaturo” iria se tornar a ser… O que se quer dizer, que tanto as crianças e o adulto ao falar tornam-se sujeitos, de construírem cultura, assim Infância e inacabamento se encontram.
    Tanto para Agamben como para Freire, pela experiência o ser humanos está aberto ao mundo e disponível a transformar-se, agindo a partir do mundo e sobre o mundo a fim de modifica-lo, assim a condição de inacabamento nos torna abertos ao mundo e autores da história. Para Agamben há história porque há infância, para Freire há infância devido à condição de inacabamento do ser humano.

    A educação bancária tão criticada por Paulo Freire infelizmente ainda persiste nas instituições escolares e apenas alguns educadores estão elaborando projetos de trabalhos que buscam romper com tal educação e estes acabam sendo sufocados, excluídos dentro da própria unidade educacional. Há ainda um grande abismo entre o discursos e a prática.

    O sistema político-econômico oprime a infância e os adultos independentes das classes sociais. E o pior que existem pessoas que desejam ver mantida a sociedade assim como está. Pois a sociedade capitalista exige de nós “competência”, na perspectiva de tudo saber, de ter todas as respostas, de saber lidar com todas as situações quando na verdade somos eternos aprendizes.

    Os pesquisadores levantam uma serie de questionamentos a fim de refletirmos como mudar o cenário da educação, já que a educação ainda não é emancipatória, (em algumas instituições escolares).

    Portanto, assim como Corsário, citado pelos autores do artigo em questão, também acreditamos que as crianças produzem cultura a partir de sua história, (re) significam suas experiências com as interações com e no mundo. A criança pode transformar o mundo e ser critico desde a infância, para isso, novas politicas devem ser elaboradas e analisadas aproveitando os estudos desenvolvidos por educadores/pesquisadores que possuem a prática vinculada à teoria capazes de permitir e assumir um compromisso de qualidade na educação Infantil.

    Referências: SANTOS NETO, E.; ALVES, M. L.; SILVA, M. R. P. Por uma Pedagogia da Infância Oprimida: as crianças e a infância na obra de Paulo Freire. Eccos, São Paulo, n. 26, p. 37-58, jul./dez. 20II.http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=71522347003

  2. Ivani Marques Quinhoneiro disse:

    Ao refletir sobre a educação bancária, os preceitos nela enraizados e os postulados de Paulo Freire frente ao conceito de educação para a transformação, entendo que esta educação carrega em seu bojo os princípios que reconhece a criança como produtora de conhecimentos, pautada no dialogo e na amorosidade. Onde não ocorre a docência sem a discência torna-se necessário considerar o que perpassa por essa proposta. Para refletirmos sobre uma mudança na ação docente, faz-se necessário um aprofundamento em questões tais como: Quem é este docente? Quais preceitos e conceitos trazem consigo? Qual é à base de sua formação / situação social- política, ética, moral, intelectual? Entre outros.
    Antes de se afirmar a viabilidade da mudança na ação docente que trará consigo uma transformação da realidade social é preciso considerar que sociedade é essa. Um conjunto de seres que convivem de forma organizada e amistosa?Constituída visando princípios éticos e morais? No sentido prático,orienta o sujeito em sua conduta cotidiana? Caráter, altruísmo e virtudes? Orienta o sujeito como este devera agir e se comportar em seu meio?Assim,propor uma transformação na ação docente,perpassa pela formação da cidadania capaz de reconstituí-lo em sua subjetividade. Sendo necessário considerar ainda que as relações sociais não sãoprevisíveis nem passíveis de controle. Tornando assim as intervenções nas praticas educativas uma ação complexa.
    Cabe-nos ainda indagar, se a voz adultocêntricaque impera na educação infantil, é um mero reflexo da ideologia e formatação previamente prescrita em nossas estruturas sociais, as quais são vistas de maneira cada vez mais relativizados. Considerando as mudanças que vem sendo proposto no contexto educacional estas muitas vezes operam como fachada para justificar e reforçar suas estruturas já cristalizadas sob um novo discurso.
    Torna-se improvável atribuir ao educador a missão de salvador das mazelas sociais instituídas desde os primórdios de nossa sociedade, apresentando-o como ator principal para se atingir uma educação libertadora, que acarrete uma mudança, somente através da proposta de uma reflexão em sua ação.Creio que somente ocorrerá mudança se nós libertarmos da fantasia que nos aprisionam,que nos tornasse mais críticos e capazes de produzir mudanças substantivas neste contexto.

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