Educação a Distância: formação de professores

Márcia Cristina Barragan Moraes Toledo.
Doutoranda em Educação – Uninove.

 Lá estava eu, sentada na frente de um objeto que mais parecia uma televisão daquelas com tubo de imagem, tela cinza e um ponto verde que piscava ininterruptamente. Era uma manhã de outubro de 1987 e meu primeiro dia de emprego naquele escritório e não sabia nem por onde começar, na frente de um computador PC-XT.

Bem, não preciso dizer que foi amor à primeira vista, quanto mais eu me relacionava, digo, aprendia a trabalhar no computador, mais fascinante se fazia aquela futura parceria. No final dos anos 80, licenciada em Artes, iniciei a graduação em Pedagogia e trabalhava com a Educação Infantil e naquele momento o uso do computador estava presente na sala de aula. Quem não se lembra dos softwares educacionais? Abelhinha 123, Aprendendo as figuras geométricas, Coelho Sabido, entre outros.

Fiz um mergulho tecnológico no trabalho de monografia do curso de especialização lato sensu intitulado “O uso de softwares educacionais” e apresentei os softwares educacionais na alfabetização. Como experiência profissional segui o meu rumo na escola particular, nos níveis da educação infantil, ensino fundamental I e II, ensino médio, curso de magistério, técnico profissionalizante atuando desde coordenadora de informática educacional à gestão escolar.

Em 2005, no Mestrado em Psicologia Escolar realizei um estudo de caso: O uso dos recursos tecnológicos em uma sala de reforço, pesquisando e acompanhando alunos com dificuldades de aprendizagem na alfabetização.

Desse modo, justificando o meu interesse e experiência profissional de mais de 20 anos na tecnologia aplicada à educação, apresentei o projeto de pesquisa no Doutorado em Educação que foi aprovado. Nesse projeto faço alguns questionamentos a partir de estudar os cursos de Pedagogia :

Quem são os professores tutores da Educação a distância (EAD) do Ensino Superior no Brasil?

Quais as ressonâncias com a imagem do tutor de uma educação tecnicista ou conteudista?

Que tipo de formação deve possuir hoje esse professor tutor?

Quais são as novas propostas pedagógicas para a modalidade de ensino a distância?

Otto Peters (2012), professor emérito do Instituto de Ciência do Ensino e Pesquisa da Educação da Fernuniversität – Universidade a Distância, na cidade de Hagen, Alemanha sugere novas mudanças nas universidades e na educação contínua do professor tutor. Considera que deve haver uma conversão, no sentido de passagem, de uma cultura de ensino para uma cultura de aprendizagem.

Pierre Levy (1993) afirma que não trabalhamos mais com a inteligência individual, mas, com a inteligência coletiva – conexões entre as pessoas construindo o conhecimento e levando a uma nova produção.

Neste sentido, com a pesquisa de doutorado busco identificar quais as propostas pedagógicas vigentes para a formação superior a distancia no Brasil; entender se se configuram como propostas paradigmáticas que geram rupturas e como ocorre esse movimento em relação á formação do professor tutor do Ensino Superior dos cursos de Pedagogia (100% EAD). Para isso analiso as propostas pedagógicas e os diferentes Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) onde a formação ocorre.

A perspectiva dialógica que procuro encontra ressonância com Paulo Freire (1987) que deixa claro que a educação é comunicação, é diálogo, não é transferência de saber, mas é um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados.

Busco fundamentar as próprias reflexões lendo e examinando também o capítulo 11 – A transformação da universidade em uma instituição de aprendizagem independente – do livro: A educação a distância em transição de Otto Peters (2012).

Na introdução, Peters considera que o ensino universitário enfrenta mudanças técnicas e sociais decorrente das mudanças sociais, do conhecimento, tecnológicas, de paradigmas educacionais e do crescimento das propostas de ensino-aprendizagem a distância. As mudanças na universidade envolve a educação por toda a vida adulta, que atender adultos de todas as idades e em numero cada vez mais crescente de alunos com o compromisso de atender a todos.

Atualmente, no lugar de educar para a cidadania atendemos e preparamos estudantes para a sociedade da informação em competências para o uso das mídias, ministrando não apenas as habilidades cognitivas, como também habilidades comportamentais e sociais (autonomia e integração). Concordo com Otto, de que não dá para trabalhar a formação dentro de cursos tradicionais, nas formas clássicas do ensinar, temos que moldar uma nova estrutura para a educação universitária.

Ele apresenta três formas básicas de aprendizagem acadêmica como mudança fundamental no ensino universitário: autoinstrução orientada e autoinstrução, estudos em um ambiente informatizado de aprendizagem e a participação de eventos didáticos em universidades tradicionais.

A possibilidade do professor tutor do EAD, é lograr uma nova estrutura para a educação universitária com formas básicas de estudo: autoaprendizagem, aprendizagem online e interação social. O estudante participaria de qualquer lugar (espaço) e em qualquer momento (tempo).

Concordo com Peters quando afirma que para dar oportunidades de desenvolvimento, combinação e integração às três formas explicitadas acima, de aprendizagem acadêmica, a universidade deve ser reorganizada, reestruturada e reconstruída.

Compactuando com as ideias do Dr. Otto Peters, nos questionamentos:

-Irá a maioria dos professores universitários abandonar suas formas preferidas de ensinar (tradicional) sem reclamar?

-Os professores universitários possuem as Competências conceituais e habilidades práticas que são necessárias na EAD?

-Estão eles preparados para desenvolver suas pesquisas sob a forma de hipertextos ou a participarem de blogs, como estamos fazendo neste momento, em colaboração ou parceria de seus próprios alunos?

Respondidos esses questionamentos, feita essa leitura de mundo, talvez nós possamos aproximar a uma proposta dialógica no sentido freireano para problematizar algumas afirmações e indagar se a universidade na modalidade a distância pode ser criada e projetada nesse sentido dialógico e não readaptada, “remendada” ou reincorporada à universidade tradicional, dentro dos mesmos paradigmas. A universidade cultural não deve morrer!!!

Referências Bibliográficas:
Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
Levy, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: editora 34, 1993.
Peters, Otto. A educação a distância em transição. São Leopoldo RS: Unisinos, 2012.
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3 respostas para Educação a Distância: formação de professores

  1. jenyree disse:

    Salludos Márcia!! Este es un tema especial porque nos encontramos en un cambio de era que nos hace estar en dos momentos históricos que crea algunas veces prácticas contradictorias, pero que al mismo tiempo crea oportunidades de emprender nuevas formas de hacer las cosas. Es evidente por tu experiencia que tanto el docente como el alumno están pasando por un momento de aprendizaje y que las nuevas generaciones vendrán con nuevos elementos que tendremos que aprender, lo que hace la diferencia es la actitud ante una realidad, como tu nos cuentas tu afrontaste la incorporación de un nuevo artefacto en tu vida laboral y eso es lo que estamos haciendo los profesores, teniendo un nuevo artefacto tecnológico en nuestras aulas. Que es lo importante para mi? Creo que lo hay que considerar y poner atención es que debe existir un reconocimiento que todos nuestros profesores y profesoras están viviendo un cambio, donde habrá resistencias, amenazas, felicidad, exploración, frustraciones y que eso forma parte del cambio. Otro aspecto, que es el más importante es el tema de reproducir prácticas en los entornos virtuales porque no le estamos dando el uso debido y liberador del mismo, sino damos el uso adecuado seguiremos siendo esclavos pero ahora tecnológicos, sirva estas líneas que nos expones para analizar qué estamos aprendiendo los profesores y que ambientes estamos reproduciendo? cuál es el fin de utilizar la tecnología? cómo una moda? para hacer “innovadores y modernos? o para realmente fortalecer redes de conocimiento y producir conocimiento social transformador???? Seguimos reflexionando!! Jenyree Alvarez. Caracas/Venezuela

  2. débora nunes alecrin vieira disse:

    quero fazer graduação pedagogia 100% ead

  3. débora nunes alecrin vieira disse:

    será possivel?

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