O ProInfo: apropriação critica dos laboratórios

Maria Joseneide Apolinário

O ProInfo (Programa Nacional de Tecnologia Educacional) é  um programa do governo federal criado em 1997 para promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica.

Como  política  publica  seus objetivos, de acordo com o decreto 6.300, de 12 de dezembro de 2007, são: promover o uso pedagógico; fomentar a melhoria do processo de ensino e aprendizagem; promover a capacitação dos agentes educacionais; contribuir com a inclusão digital, entre outros.

O programa é uma parceria do governo Federal, que disponibiliza os computadores para as escolas públicas, e dos governos Estaduais e Municipais que disponibilizam a estrutura física e a capacitação dos professores para o uso das máquinas e tecnologias, além da manutenção.

No entanto, pesquisadores como Oliveira (2001), Cysneiros (2003), Souza  (2003),Campos (2004), Ransane (2005), Silva (2007), consideram que o uso dos computadores do laboratório ProInfo não fazem parte da rotina dos professores, em função do número insuficiente de máquinas para atender uma turma de alunos e também pela falta de conservação e manutenção  dos equipamentos e dos softwares. Além disso, os pesquisadores acima relatam a falta de continuidade do programa com relação à formação dos professores, com poucos formadores e apontam que o ProInfo tem sido implementado de forma fragmentada e descontinuada.

As condições para a apropriação do Laboratório ProInfo enfrentam o desafio permanente do surgimento de novas tecnologias e computadores conectados a internet. E  um desafio para a gestão das escolas é promover a formação contínua do professor em competências conceituais, procedimentais e metodológicas para que a apropriação seja feita de maneira critica das recém adquiridas tecnologias pelas escolas.

Para Almeida e Prado (2005, p.4), “a gestão de tecnologias na escola implica compreender e articular duas concepções essenciais a esse processo: gestão e tecnologias, cuja conexão se viabiliza nas práticas escolares com o uso de tecnologias.” Essa discussão traz à tona o trabalho com projetos na escola, mantendo a coerência conceitual entre estes, reconstruindo novas formas de aprender e ensinar, incorporando as diversas mídias e conteúdos curriculares.

O trabalho com projetos deve integrar linguagens e mídias e propor um diálogo capaz de iluminar e a articular as distintas formas de expressão com o uso das tecnologias enquanto protagonistas de suas produções.

Uma maneira significativa de aprendizagem é a partilha de conhecimentos e o trabalho em equipe para facilitar o enfrentamento dos complexos problemas existentes ao nosso redor e os  desafios impostos pelos avanços tecnológicos. Ou mesmo o circulo de cultura digital proposto por Gomez (2004) que desafia o educador ao dialogo e a comunicação na interação presencial ou virtual.

Gomez, (2004, p.89), referindo-se à prática do educador considera que;

Para a práxis cotidiana, cabe ao educador, em seu trabalho com imagem, entender, mediar e orientar o leitor/autor para que este não fique emaranhado e/ou apenas fascinado diante da tela. Ir além da construção de significado e da reflexão para dar lugar às atividades concretas, apresentando ao aluno desafios de modo a evitar que ele fique estancado na estimulação sensitiva inicial. São necessárias atividades que lhes permitam avançar no processo de simbolização da imagem que, gerando um movimento entre sujeitos e coisas, desestruture conhecimentos prévios.

Nessa perspectiva, os computadores são dispositivos que fazem parte da produção social do conhecimento. O  acesso aos computadores deve levar os professores e alunos à criatividade, à criticidade, à autonomia, e à construção do protagonismo e da autoria necessária para poder existir na rede mundial de informações,  a internet.

Referencias:

Almeida, Maria Elizabeth Bianconi de; Prado Maria Elizabete Brisola Brito. Integração de tecnologias, linguagens e representações – proposta pedagógica- Salto Para o Futuro, boletim 05, maio  2005.

Campos, Silmara Streit. Mapeamento da informática educativa nas escolas municipais de Jaraguá do Sul/SC. 2004. 154 fls. Dissertação. (Mestrado em Educação). Universidade Regional de Blumenau, Blumenau, 2004.

Cysneiros, Paulo G. Programa Nacional de Informática na Educação: novas tecnologias, velhas estruturas. In: Barreto, Raquel G. (Org.) Tecnologias educacionais e educação a distância: avaliando políticas e práticas. Rio de Janeiro: Quartet, 2003.

Gomez, Margarita Victória. Educação em rede: uma visão emancipadora – São Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2004 (Guia da Escola Cidadã;v.11)

Ronsani, Izabel Luvison. Informática na educação: uma análise do PROINFO – UnC. HISTEDBR On-line, Campinas, n.19, 2005. Disponível em: http://www.histedbr.fae. unicamp.br /Art8_ 16.pdf

Silva, Vanderléa Luiza da. Informática na educação: possibilidades de inclusão digital. Dissertação. (Mestrado em Educação). Universidade do Oeste de Santa Catarina, Joaçaba, 2007.

Souza, Carolina Borges. Crianças e computadores: discutindo o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação a Educação Infantil.2003. 95 fls. Dissertação. (Mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.

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2 respostas para O ProInfo: apropriação critica dos laboratórios

  1. vimar011 disse:

    O ProInfo (1997) no contexto das políticas públicas para a informática na educação me remete a pensar o que tem sido feito e os avanços realizados. A apropriação dos laboratórios do ProInfo no cotidiano escolar demonstra que o investimento tem sido considerável, o empenho da experiência do próprio professor, que faz possível o trabalho pedagógico nesse universo tecnológico, deixa entrever que algumas metas foram alcançadas. Mas, acredito que é criterioso continuar pesquisando sobre as particularidades do uso dos computadores do laboratório ProInfo quando estes não fazem parte da cultura e da rotina dos professores…e, concordo que na apropriação ocorre um processo de criatividade, de criticidade, de exercício da autonomia, de protagonismo e de autoria necessária para poder existir na rede mundial.

  2. Edgar disse:

    Acho muito interessante a idéia de vocês e quero compartilhar. O que temos experimentado nos últimos 4 anos na UFV é o que chamamos de Troca de Saberes. Um esforço para reinventarmos o Círculo de Cultura de Paulo Freire e contribuir com o seu legado. Trata-se de um grande encontro anual dentro da Semana do Fazendeiro, quando nos encontramos com os agricultores familiares e representações dos movimentos sociais para trocarmos conhecimentos. A universidade acolhe e dialoga com o conhecimento popular. Experimentamos uma ciência dialógica e desvestida das verdades absolutas. Quero dizer que isso é um desafio.
    Edgar

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