Brincadeira – brincando a criança aprende

freire3Andreia Mara Cortez; Sonia Cardoso Ike; Patricia Cristina de Campos Silmara; Sonia M. Pontes Miranda.

É brincando que a criança aprende a brincar e a interagir …

Na educação infantil, o brincar não tem, ainda, sua importância devidamente reconhecida, pois culturalmente a sociedade a considera como uma ação desprovida de significados e que somente na educação fundamental é onde de fato as crianças vão aprender e desenvolver suas habilidades, separando o lúdico da aprendizagem formal.

Os pesquisadores do brincar consideram que este mobiliza múltiplas aprendizagens, sendo indispensável à saúde física, emocional e intelectual da criança. Na brincadeira, a criança cria outros mundos e se comporta além do habitual e cotidiano. A criança vivencia-se no brinquedo como se ela fosse maior do que é na realidade. (VYGOSTKY, 1987, p.117)

Maluf (2003, p.21) afirma que: “Quando brincamos exercitamos nossas potencialidades, provocamos o funcionamento do pensamento, adquirimos conhecimentos e estresse ou medo, desenvolvemos a sociabilidade, cultivamos a sensibilidade, nos desenvolvemos intelectualmente, socialmente emocionalmente.”

Segundo Kishimoto (1999), o desenvolvimento da criança deve ser entendido como um processo global, pois quando corre, pula, ela desenvolve sua motricidade e, paralelamente, é um desenvolvimento social, pois brinca com parceiros, obedece as regras, recebe informações e estabelece relações cognitivas, tornando-se assim, um ser humano inteiro.

Constatou-se, nesses estudos, que as brincadeiras são fonte do desenvolvimento cognitivo e, também, uma forma de autoexpressão, pois as crianças descobrem suas sensibilidades, habilidades, visualizam suas funções e responsabilidades, aprendem a dividir tarefas com o outro, desenvolvendo, assim,  colaboração.

Através das brincadeiras, as crianças se apropriam do mundo a sua volta, construindo a  sua própria realidade, dando-lhe   um significado.

Na teoria que embasa o brincar há muito conflito sobre o significado das palavras:  brinquedo, brincadeira e jogo.

Maluf (2003) pondera que: “O brinquedo não é apenas um objeto que a criança usa para se divertir e ocupar o seu tempo, mas é um objeto capaz de ensinar e de  torná-la feliz ao mesmo tempo.”

O brinquedo é um importante artefato cultural que gera aprendizagens. Ao se utilizar brinquedos de várias formas e diferentes tamanhos, a criança tem a oportunidade de conhecer a sua cultura e trabalhar semelhanças e diferenças, enfim, abstrair, classificar e simbolizar.

Em relação à brincadeira, Vygotsky (1991, p.35) afirma que:

É uma atividade humana criadora, na qual a imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ações pelas crianças, assim, como de novas formas de construir relações sociais com os outros sujeitos, crianças e adultos.

O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998, p.13) ressalta que: A brincadeira favorece a autoestima das crianças, auxiliando-as a superar progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, assim, para a interiorização de determinados modelos de adultos, no âmbito de diversos grupos sociais. Essas significações atribuídas ao brincar transformam-no em um espaço singular de contribuição infantil.

 Piaget classifica o jogo infantil em três categorias: De exercício: caracteriza se pela repetição de uma ação pelo prazer que ela proporciona e é uma das primeiras atividades lúdicas do bebê; Simbólico: envolve o faz-de-conta, a representação; De regras: é o que exige que os participantes cumpram normas e passem a considerar outros fatores que influenciam no resultado como, atenção, concentração, raciocínio e sorte.

Em seus estudos sobre jogos, Vygostky (1896- 1934) deu ênfase aos jogos de representação. Ele considera que: “Não existe brincadeira sem regras, partindo do princípio de que os pequenos se envolvem nas atividades de faz-de-conta para tentar entender o mundo em que vivem, para isso usam a imaginação.”

Sendo assim, os estudos de Piaget e Vygostky levam a refletir sobre o significado do jogo simbólico e do brinquedo na infância. O lúdico propicia à criança o desenvolvimento das estruturas cognitivas, a construção de personalidade, o intercâmbio do cognitivo com o afetivo, o avanço nas relações interpessoais, nas interações e no conhecimento lógico matemático, a representação do mundo e o desenvolvimento da linguagem.

Referências bibliográficas
KISHIMOTO, Tizuko M. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo: Cortez, 1999.
MALUF, Ângela Cristina M. Brincar, prazer e aprendizagem. São Paulo: Vozes, 2003.
PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
VYGOSTKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

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10 respostas para Brincadeira – brincando a criança aprende

  1. Lucilene Cavalcante de Souza; Vilma Carvalheira. disse:

    Concordamos com a postagem anterior… quando as professora consideram Piaget (1998) para dizer que o brincar é importante na vida da criança. No desenvolvimento ocorrem mudanças psíquicas das mesmas em fase pré-escolar através do ato de brincar, como observam também Vygotsky e Wallon. O brincar manifesta-se de diferente maneira em torno dos 2-3 anos e entre os 5-6 anos.
    O significado da atividade lúdica para a criança está ligado a vários aspectos: o primeiro deles é o prazer de brincar livremente; seguem-se o desenvolvimento físico que exige um gasto de energia para a manutenção diária do equilíbrio, do controle da agressividade, a experimentação pessoal em habilidades e papéis diversificados, a compreensão e incorporação de conceitos, a realização simbólica dos desejos, a repetição das brincadeiras que permitem superar as dificuldades individuais, a interação e a adaptação ao grupo social, entre outros.
    As brincadeiras variam de uma região do Brasil para outra e adquirem peculiaridades regionais ou locais. No entanto, é possível reconhecer, neste mundo saturado de tecnologia, que uma mesma brincadeira e identificar as variantes surgidas, as fusões ocorridas no decorrer do tempo. Muitas atividades desaparecem quando deixam de ser funcionais aos grupos lúdicos, podendo vir a reaparecer em novas combinações.
    O brincar como uma atividade espontânea da criança, concebe-se como suporte para a aprendizagem e permite a variação do brincar, ora como atividade livre, ora como atividade orientada. A concepção froebiana de educação, por exemplo, concebe que o homem e a sociedade estão intimamente vinculados ao brincar. Froebel introduz o brincar para educar e desenvolver a criança; sua teoria metafísica nos leva a refletir pois pressupõe que o brincar permite o estabelecimento de relações entre os objetos culturais e a natureza, unificado para o mundo espiritual.
    Assim, o brincar como atividade livre e espontânea, contribui com o desenvolvimento físico, moral, cognitivo da criança. Os brinquedos, subsidiam atividades infantis mas necessitam ser orientadas. Nesse desenvolvimento, o professor aguça a sua perspicácia para educar a criança, pois a educação como um ato cognitivo, institucional e político requer orientação.

    Lucilene Cavalcante de Souza; Vilma Carvalheira.

  2. Sonia Ike disse:

    todos nos professoras e educadoras, sabemos da importância do brincar na educação infantil

  3. Marilda disse:

    Realmente acho que os educadores principalmente da educação infantil, reconhecem a importância do brincar, mas esse brincar não deveria ser bruscamente retirado da criança que agora aos 6 anos já vai para o ensino fundamental, mas ainda são crianças. Onde fica o brincar? sem contar a falta de espaço e materiais adequados nas escolas de educação infantil, o que acaba tornando este brincar de baixa qualidade.

  4. Rosangela do Nascimento Rodrigues disse:

    O texto “Brincadeira – brincando a criança aprende”, defende a importância do ato de brincar como elemento fundamental para o desenvolvimento cognitivo das crianças em seus mais amplos aspectos. Nessa visão, considero que os autores reforçam esse olhar desmistificador, que nos aponta caminhos para um repensar de nossas praticas educativas, percebendo a importância do ato de brincar como máximo para o desenvolvimento das potencialidades infantis.
    Enquanto Vygostky afirma a importância da descoberta e da criação de outros mundos além do habitual e cotidiano para a criança, Maluf considera que enquanto brincam as crianças exercitam suas potencialidade e, Kishimoto revela que através das brincadeiras, as crianças se apropriam do mundo a sua volta, construindo a sua própria realidade, dando-lhe um significado. Por outro lado, a visão desmistificadora de Paulo Freire, defende a valorização da realidade cultural, o cotidiano e a vivência das crianças, estimulando a inquietação e a descoberta no aprendizado pela prática prazerosa da compreensão do mundo. Nessa perspectiva, considero que o ato de brincar é propulsor da descoberta e da inserção no mundo da leitura de sua própria individualidade. Assim, o conhecimento das palavras, e o entendimento matemático são apenas parte de um processo grandioso de aprendizagem no qual, enquanto educadores, poderemos suscitar mil e uma possibilidades.

  5. Angela Aparecida Silva Oliveira disse:

    Brincadeira de roda, passa anel, cinco marias, esconde-esconde, duro ou mole, escorregador, gira-gira, gangorra, futebol, pipa, bolinha de gude, as brincadeiras tradicionais, as novas formas de brincar, a reinvenção do brincar…as brincadeiras e o brincar são uma linguagem universal da infância, a criança cria cultura através desta atividade, é nossa herança cultural.

    O brincar é inerente à criança, mas também pode e deve ser aprendido e apreendido pelos pequenos sob a supervisão dos adultos, que também podem redescobrir o prazer infantil resguardado em sua memória.

    “Garantir um espaço de brincar no cei, creche ou emei deve assegurar a educação numa perspectiva criadora, em que a brincadeira possibilite o estabelecimento de formas de relação com o outro, de apropriação e produção de cultura, do exercício da decisão e da criação.” (orientações curriculares)

    AS BOLAS DE SABÃO
    As bolas de sabão que esta criança
    Se entretém a largar de uma palhinha
    São translucidamente uma filosofia toda
    Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
    Amigas dos olhos como as cousas,
    São aquilo que são
    Com uma precisão redondinha e aérea,
    E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
    Pretende que elas são mais do que parecem ser.

    Algumas mal se vêem no ar lúcido.
    São como a brisa que passa e mal toca nas flores
    E que só sabemos que passa
    Porque qualquer cousa se aligeira em nós
    E aceita tudo mais nitidamente.

    Alberto Caeiro (Fernando Pessoa.)
    O guardador de rebanhos – 1914

  6. Adriana disse:

    Brincadeira, choradeira,
    Pra quem vive uma vida inteira
    Mentirinha, falsidade,
    Pra quem vive só pela metade
    ….

    Pé De Nabo: http://www.youtube.com/watch?v=j_2H04cGJWU

  7. Angélica Silva do Nascimento; Cíntia Noberto dos Santos; Kelly Cristina de Mâcedo Monteiro Souza; Rita de Cássia Marques Simeão; Shirley Eugenio disse:

    A importância do brincar para uma pedagogia libertadora..
    No cenário da educação infantil, embora observassem que a criança, ainda hoje é silenciada nas escolas e em outros ambientes, vista como um ser passivo ea brincadeira para alguns profissionais é apenas um ”tempo livre”. Por outro lado percebemos a luta para uma transformação de um olhar diferente por uma pedagogia libertadora , na qual as crianças da pré escola aprendem brincando para uma aprendizagem significativa, pois o principal modo de expressão da infância é a brincadeira.
    A brincadeira da cultura popular, passando de geração em geração faz desenvolver formas de convivência social. Já a brincadeira de faz de conta deixa evidente a presença da situação imaginária, nela a criança altera o significado dos objetos, dos eventos, expressa sonhos e fantasia e assume papeis presentes no contexto social, a criança também aprende a criar símbolos e desenvolver autonomia.
    De acordo com Vygotsky quando as crianças confrontam suas próprias Zonas de Desenvolvimento Proximal, ela representa a situação de forma cada vez mais abstrata e a construir novas estruturas e aescola precisa ser um ambiente de experimentação e criação, incentivando a cooperação e solidariedade, além de trazer possibilidades na criança, podendo torná-la capaz de desenvolver-se integralmente.
    Portanto, estudos e pesquisas têm comprovado a importância das atividades lúdicas, no desenvolvimento das potencialidades humanas das crianças, proporcionando condições adequadas ao seu desenvolvimento físico, motor, emocional, cognitivo e social. Atividade lúdica é toda e qualquer animação que tem como intenção causar prazer e entretenimento a quem pratica. São lúdicas as atividades que proporcionam a experiência completa do momento, associando o ato, o pensamento e o sentimento. A criança se expressa, assimila conhecimentos e constrói a sua realidade quanto está praticando alguma atividade lúdica. Ela também espelha a sua experiência, modificando a realidade de acordo com seus gostos e interesses.
    As atividades lúdicas infantil fornecem informações elementares a respeito da criança como suas emoções, a forma como interage com seus colegas, seu desempenho físico-motor, seu estágio de desenvolvimento, seu nível lingüístico, sua formação moral. E o jogo e o brincar aparecem como métodos e estratégias de produzir ludicidade no ato de aprender.
    O lúdico precisa estar presente nas atividades escolares, pois é um instrumento facilitador na aprendizagem das diversas áreas do conhecimento cognitivo, social, motor e psicológico.
    Os educadores precisam entender que é importante inserir o brincar na sua pratica educativa, com intencionalidade dos objetivos a serem alcançados.
    O educador deverá propiciar a exploração da curiosidade infantil incentivando o desenvolvimento da criatividade, das diferentes formas de linguagem, do senso crítico e de progressiva autonomia. Como também ser ativo quanto às crianças, criativo e interessado em ajudá-las a crescerem, fazendo das atividades lúdicas na educação infantil, excelentes facilitadores do ensino – aprendizagem.
    A brincadeira deve ocupar um lugar privilegiado nas rotinas, deve-se superar a concepção de muitos educadores de que o tempo de brincar nas instituições de educação infantil é uma exceção à norma de trabalho, ou uma atividade para preencher o tempo de espera ou prêmio.

    Referências:
    Curso de Pós-graduação Lato Sensu em “Educação Infantil: Pedagogia Freiriana”, Uninove/SP, 2012/13.
    KISHIMOTO, Tizuko. M.Jogo,Brinquedo,Brincadeira e a Educação.12 ed.São Paulo:Cortez,2009.
    São Paulo, Secretaria Municipal de Educação. Diretoria de Educação Técnica. Tempos e Espaço para a infância e suas linguagens nos CEIs, creches e EMEIs da cidade de São Paulo, 2006.
    Oliveira, Zilma Ramos de. Educação Infantil: fundamentos e métodos. Ed. São Paulo: Cortez, 2007.

  8. Renata Vilhena disse:

    Que debate mais interessante! De fato, parece senso comum afirmar que o brincar é condição de aprendizagem na infância. Também me parece claro que, ao entender a criança como um sujeito que será algo quando crescer, nós – e digo nós enquanto sociedade, ainda que eu tenha uma opinião pessoal distinta – colocamos o seu viver na possibilidade, no potencial a se desenvolver, muitas vezes retirando da criança a possibilidade de viver o hoje, o aqui, o agora.
    Pois bem, ao entrelaçarmos o fato de que é ao elaborar pela brincadeira que a criança apreende e aprende o mundo, seus signos e significantes, à necessidade de se entender a criança como o que é, um sujeito que está em constante contato com tudo e todos, sendo transformada, mas também transformando, entendesse a questão debatida da importância da valorização da infância e o reconhecimento como etapa fundamental para a elaboração e construção de uma nova sociedade, uma sociedade que busca o respeito, o diálogo, a superação.

  9. marvi2012 disse:

    A minha reflexão é a partir de discorrer sobre a perspectiva da professora Tizuko entrevistada, conforme o vídeo “A importância do Brincar”
    Nesse vídeo é levantada a temática sobre o papel das brincadeiras na Educação Infantil sob a análise da especialista da faculdade de Educação da USP Tizuko Morchida. Nesse vídeo ela expõe que brincando a cça experimenta, descobre, inventa, exercita e confere suas habilidades, ou seja a criança vista como cidadã de direitos. A autora revela que a cça é a protagonista nos jogos, pois através das brincadeiras ela exerce o seu direito de escolher os objetos e de manuseá-los, tomando decisões sobre o que fazer…
    Se o objeto é macio, se é leve, ela a cça explora, levando-o a boca etc…Assim explorando os materiais a criança toma decisões movimentando sua forma de pensar. A arte da imitação também é fundamental nas brincadeiras pois ela vai visualizando como o adulto se alimentar por exemplo dentro do mundo da cultura que ela está inserida;
    Os brinquedos são alimentos para a fome de conhecer da criança. Ao brincar a cça aprende o mundo da cultura. Por isso é fundamental que o professor ofereça a ela brinquedos inicialmente que fazem parte da rotina dela.(falar o que está vendo)Então através da observação do desempenho das cças com seus brinquedos, nós podemos avaliar o nível de desenvolvimento motor e cognitivo. Fornecendo brinquedos desta natureza, enriquecemos sua aprendizagem, visando elementos nutrientes para o seu desenvolvimento.
    O brincar é forma de Aprender(Partilhar situações); Segundo a autora ela afirma que o brincar faz parte da vida, mas na cultura ela se torna diferente, não só se expressar, mas aprender as diferentes formas das quais a cultura cria sobre a cultura lúdica. O convite ao brincar, implica em proporcionar a cça desafios e motivação, para que ela ao ver o brinquedo, seja tocada pela proposta, reconhecendo umas coisas, descobrindo outras, experimentando e reinventando; assim analisa, compara e cria. Sua imaginação se desenvolve e suas habilidades também. É especifico da cça que brinca criar um arsenal( liderança-jeito novo de brincar, regra nova, flexibilidade; Dialogar com as diferenças); ter domínio espacial para todas as áreas do conhecimento. Por isso devemos enquanto educadores pensar no material e espaços propondo, cantos, áreas, equipamento básico, mudar a estrutura dos mobiliários e mediar com qualidade. Onde o educador verifica o que está faltando e acrescentar elementos ( ampliando e modificando os vários elementos para avançar no faz-de-conta).
    Ela enfatiza as brincadeiras dos papéis com vários personagens médico,paciente, mamãe, papai etc. Permitindo a cça pensar com liberdade sobre a sua ação na brincadeira. Para mim o brincar deve proporcionar aprendizagens, que envolvam o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e atenção, portanto é indispensável o Brincar na educação infantil, isso implica numa saúde física, emocional e intelectual da cça. É uma arte, um dom natural, que bem cultivado, irá contribuir no futuro, para a eficiência e o equilíbrio do adulto. O brinquedo estimula a curiosidade, a iniciativa e a autoconfiança.
    Essa perpectiva vai de encontro com a minha prática; pois ao brincar com a arte de contação de história e música, faz se presente uma leitura do mundo da cça, da qual a mesma penetra no campo da imaginação recriando personagens e a história. Uma vez quando contei a história do Lobo Mau com os três porquinhos, uma criança interrompeu-me no final e fez a seguinte colocação: Eu acho que o Lobo não é tão mau assim, os porquinhos que não quiseram ouvi-lo e ser amigo dele. Achei fantástico tal colocação pois era uma criança muito tímida e naquele exato momento algo diferente na história o fez se posicionar e se colocar como sujeito dando sua opinião o nome dele era Ruan e a professora dele disse-me que ele nunca falava quase não se houvia a sua voz dentro de sala e ele tinha 3 anos apenas….Quero aqui deixar uma experiência que vivi como contribuição ; No ano passado numa turma de cças de 3 anos, trabalhamos juntas eu e as professoras de 2 salas de mini-grupo, sobre um projeto que envolvia contação de histórias. O livro João pé de feijão da Rute Rocha foi nosso material proposta, para iniciarmos o diálogo com as crianças numa roda de conversa. As crianças plantaram a semente de feijão num potinho e passamos a observar todos os dias o que ia acontecendo e as professoras foram registrando o que estava acontecendo com a turma. Um dia elaboramos a coreografia e a letra da música num versinho criado pelas próprias crianças. Então fizemos um cardápio com essas canções como uso diário onde possibilitou as professoras observarem a linguagem das crianças e o avanço no vocabulário, com isso passaram a se movimentar no CEI envolvendo as outras salas e com isso a tal letra da música foi ensinada e aprendida por todos no CEI. A observação da gestão em relação a todo esse momento de felicidade foi tão espontâneo que a mesma resolveu nos inscrever em conae ( órgão público de troca de experiências) e eu e as professoras fomos expor nossa prática pedagógica onde nessa proposta evoluímos no entendimento psiquicomotor dos pequenos envolvidos nesse projeto. Ao final todos tiveram a consciência na preservação da natureza ao entorno do CEI (Plantação dos feijões), bem como na prática(Alimentação) já que as crianças não se alimentavam do feijão, a grande maioria só comia arroz e a salada e o feijão ia pro lixo da escola. Os pais se envolveram e fizeram parte integrante contribuindo com os vasinhos e enfeites elaborados pelo grupo familiar onde catalogamos cada um com o nome da família e ao final puderam contatar como casos de anemia foi superada por algumas crianças e no ganho peso também.
    Usei esse demonstrativo para ilustrar uma brincadeira bem elaborada e com objetivos e com o comprometimento dos profissionais envolvidos( gestão, professores, equipe de apoio e técnicos) Nessa pluralidade cultural passamos por várias áreas do conhecimento desde: Corpo, Mente, Cultura, Movimento, Conscientização, Parcerias(Familia) até o conhecimento cientifico (Natureza).

    Adriana (Turma de sábado)

  10. maria do socorro macedo de lira brasil disse:

    Quando a criança brinca ela cuida de si mesma e do ambiente, ela cria a sua identidade trabalha em grupo, trabalha individualmente, trabalha seu corpo, se responsabiliza por seus atos , se sensibiliza com o outro, lida com os seus conflitos, sabe ouvir e expressa sentimentos adversos, construindo sua própria autonomia.

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